BR Partners entra em empresa de logística

Banco de investimento compra fatia do Grupo Sequóia, especializado em entregas para o comércio eletrônico

CÁTIA LUZ, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2012 | 03h05

Foram três meses de conversas para fechar o negócio. Na semana passada, o braço de private equity do banco de investimento BR Partners, fundado por Ricardo Lacerda e Andrea Pinheiro, comprou participação minoritária no Grupo Sequóia, especializado em logística para comércio eletrônico. O BR Partners não revela o porcentual nem o valor da aquisição. Mas, segundo o Estado apurou, o investimento inicial foi de cerca de R$ 30 milhões, com o compromisso de chegar a R$ 50 milhões até o fim do ano.

"O foco é investir em empresas bem geridas, com potencial de crescimento, mas ainda em estágio incipiente. Por isso, temos predisposição em fazer cheques menores", explica Lacerda. "Pelos nossos contatos e nosso histórico na assessoria de empresários em grandes negócios, a ideia é criar uma rede local de investidores e empreendedores."

Quando foi criado, em 2009, metade do capital do BR Partners veio de empresários e famílias que já haviam sido assessorados pelos banqueiros. Alguns dos nomes são João Alves de Queiroz Filho (o Júnior, dono da Hypermarcas), Waldemar Verdi (Rodobens), a família Feffer (do grupo Suzano), os Zogbi (ex-donos da Ripasa) e os Vasone (Hospital São Luiz).

Com R$ 250 milhões para investir em private equity, o BR Partners, além da empresa de logística, mantém duas negociações avançadas: um investimento no setor de shopping center, que deve ser fechado em breve, e outro no varejo especializado, em fase de due dilligence. A estratégia é ser sempre um sócio minoritário, que não interfere na gestão. "Tivemos contato com cerca de 80 empresas. E analisamos de perto 40 para chegar a esses três negócios", diz Gregory Reider, sócio do BR Partners, responsável pela área de private equity.

Criado pelos sócios Armando Marchesan e Décio Alves no final de 2010 - mas em operação mais intensa desde meados do ano passado -, o Grupo Sequóia é formado por duas empresas. A Completa é responsável por receber, armazenar, separar e expedir as compras. E a Delivera Express cuida do nível de informação e da rastreabilidade do pedido. O grupo funciona no conceito de "e-condomínio" e presta serviço para mais de 30 sites, entre eles o clube de compras Privalia.com, e o Greenvana.com, empresa de comércio sustentável.

Segundo Marchesan, uma das vantagens do modelo é não exigir dos clientes um volume mínimo, prática comum nos grandes operadores. "Isso facilita a entrada das pequenas empresas, que não precisam fazer investimento próprio nem arcar com um preço fixo mínimo para operar", diz Marchesan, que deixou no mês passado o posto de diretor de operações da Natura para se dedicar à empresa.

Aposta nos pequenos. Em um setor que cresceu em média 30% ao ano nos últimos cinco anos, as pequenas do varejo online têm ganhado destaque. Segundo dados da e-bit, empresa do Grupo BuscaPé especializada em informações para o e-commerce, há três anos, micro, pequenas e médias empresas respondiam por 7% do faturamento do setor. Hoje, esse porcentual é de 12%.

Para Roque Cifu, consultor de logística da Accenture, apostar nas pequenas pode ser um caminho interessante. "O potencial de crescimento dessas empresas é atraente e atender vários clientes é uma forma de diluir o risco", diz o consultor.

De acordo com Pedro Guasti, diretor geral da e-bit, há cerca de 15 mil lojas online no Brasil. "Os serviços de tecnologia para a criação de novas lojas, como produtos de segurança ou de meios de pagamentos, tiveram evolução muito grande nos últimos anos", explica. "Mas logística ainda é o ponto mais difícil desse cenário. Os problemas vão desde guerra tributária às más condições das estradas", completa.

A entrega tem sido o grande gargalo do setor, cuja expansão tem sido acompanhada por crescentes reclamações de clientes sobre descumprimento de prazos e serviços de má qualidade.

Varejo tradicional. Além dos pequenos, o Grupo Sequóia quer atender clientes do varejo tradicional que tenham comércio online. "Vender na internet exige uma logística muito mais detalhada, dividida em itens, não em pacotes", diz Marchesan. "Dessa forma, os clientes do varejo tradicional podem abastecer a Sequóia como se fosse uma loja. E nós tratamos de fracionar e entregar a mercadoria."

Com os recursos da BR Partners, a Sequóia quer aumentar a automação de seus processos e o nível de informações sobre as encomendas durante o trajeto. "Precisamos munir de informações tanto o consumidor quanto o cliente", diz Marchesan. Hoje, as lojas conseguem consultar online a posição do estoque.

O Grupo Sequóia trabalha com frota terceirizada e aluga um galpão de 8,6 mil metros quadrados em Cajamar, na Grande São Paulo. "Além de estar em um setor dinâmico, o fato de a empresa não ser dona dos ativos pesou na nossa decisão", afirma Reider, do BR Partners. O histórico dos fundadores também influenciou o banco. Marchesan e Alves trabalharam juntos no início do site Submarino. Marchesan liderou ainda o processo de descentralização da logística da Natura, aumentando de um para oito o número de centros de distribuição da empresa.

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