Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

BR Properties vê melhora das locações de imóveis, mas espera ano difícil

Segundo a empresa, mercado de prédios corporativos ainda sente os efeitos da crise, com empresas segurando os planos de expansão dos escritórios devido à covid

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2021 | 09h00

A BR Properties vê um ano difícil pela frente para o mercado de prédios corporativos, uma vez que as empresas ainda sentem os efeitos da crise econômica e seguram decisões de expansão dos escritórios. Por outro lado, já se percebe um reaquecimento discreto nas comercializações, com procura, principalmente, pelos edifícios de classe AAA.

Essa é a avaliação do presidente da BR Properties, Martin Jaco. "De abril a setembro, o mercado ficou parado. Desde outubro, o volume de locações retomou", afimou. "E nessa volta das locações, virá primeiro a demanda por prédios de primeira qualidade e bem localizados. O mercado não vai ser fácil, mas os primeiros movimentos serão nesse tipo de portfólio", projetou.

A BR Properties fez a comercialização de 22.357 m² no quarto trimestre de 2020 e totalizou 40.557 m² no acumulado ano. Em janeiro de 2021, foram locados mais 5.909 m².

Do volume total de locações, 7.849 m² foram contratos na Torres Ventura, no Rio de Janeiro, com as entradas da IBM e da TAG (Grupo Engie). "Isso mostra que tanto em São Paulo quanto no Rio, a procura por ativos de boa qualidade se mantém", frisou Jaco.

A BR Properties fechou o quarto trimestre de 2020 com taxas de vacância consolidada financeira e física de 21,4% e 21,2%, respectivamente. Considerando as locações de janeiro, as taxas de vacância financeira e física consolidadas recuaram para 19,6% e 19,9%, respectivamente. Ao longo do ano, a desocupação oscilou pouco, o que mostra a resiliência dos imóveis mesmo na crise, avaliou o executivo. "Nossa vacância praticamente não se alterou ao longo de 2020, ao contrário do que o mercado pregava de que os escritórios ficariam às moscas".

O presidente da BR Properties admitiu que os novos contratos embutem um desconto no aluguel, de modo que os valores voltaram, na média, aos números vistos em 2019. Apesar de conceder alguma flexibilidade nas negociações, Jaco diz que não usará descontos como estratégia para agilizar a chegada de inquilinos.

"Não acreditamos que é flexibilizando que veremos os inquilinos se mudarem. Em se tratando da sede das empresas, esse tipo de decisão não é imediata. As empresas avaliam localização, transporte e conforto dos funcionários. A economia de curto prazo não é o principal", avaliou. "À medida em que locações avançarem e a oferta de imóveis diminuir, os valores vão se recuperar".

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