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BR Properties vende 10 imóveis por R$ 1 bilhão

Fundo de private equity Blackstone é o novo dono do portfólio, que inclui ativos como galpões industriais, logísticos e prédios de escritório

O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2015 | 02h04

A BR Properties, empresa especializada na gestão de imóveis comerciais, e que tem entre seus sócios o banco BTG Pactual, anunciou ontem a venda de dez ativos imobiliários por R$ 1,06 bilhão. O contrato de venda foi firmado com a BRE Ponte Participações, que pertence ao fundo de private equity americano Blackstone. Entre os ativos estão incluídos galpões industriais e de logística e prédios de escritório, de propriedade da companhia e subsidiárias.

A venda bilionária foi anunciada apenas um mês após a empresa cancelar uma oferta pública de ações (OPA) por desistência do BTG. O banco foi o responsável por desenhar uma complexa operação, envolvendo um fundo imobiliário do qual é administrador, em parceria com o grupo canadense Brookfield. Em linhas gerais, os dois pretendiam comprar o controle da gestora de imóveis comerciais e dividir os ativos que estão sob gestão da companhia, avaliados em R$ 10 bilhões.

A pressão dos minoritários do fundo, que se sentiram prejudicados com a operação, fez a oferta naufragar. Na ocasião, a BR Properties disse que continuaria negociando a venda de seus ativos com a empresa canadense. Os negócios, porém, acabaram avançando com a Blackstone.

Segundo o presidente da gestora de ativos imobiliários, Cláudio Bruni, a intenção é vender ativos para aumentar os ganhos dos acionistas em um momento em que o cenário do setor é negativo, com queda no valor de aluguéis e aumento de imóveis vagos. "Achamos que hoje temos um caminho que pode indicar uma geração de riqueza maior para o acionista na venda (de imóveis). Mas temos um olhar estrábico (...), olhamos a venda e a compra", afirmou o executivo durante teleconferência com analistas.

A empresa divulgou, na noite de segunda-feira, queda de 81% no lucro líquido do segundo trimestre na comparação com um ano antes.

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'Achamos que hoje temos um caminho que pode indicar uma geração de riqueza maior para o acionista na venda (de imóveis). Mas temos um olhar estrábico: olhamos a venda e a compra', diz Cláudio Bruni, presidente da BR Properties
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Cenário difícil. A taxa de vacância física em imóveis de escritórios da BR Properties subiu de 9,6%, entre abril e junho de 2014, para 14,4% agora. Na área industrial, o índice subiu de 1,2% para 2,3%. Segundo Bruni, o aumento na taxa de vacância de imóveis no segundo trimestre foi mais concentrado no Rio de Janeiro por conta de locatários do setor de óleo e gás e de outros segmentos atingidos pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, investigação sobre corrupção na Petrobrás.

Porém, diante da conjuntura de baixa confiança de empresários e consumidores, o executivo afirmou que a BR Properties não deve apresentar nos próximos trimestres uma performance de resultados "brilhante". "Estamos fazendo esforço muito grande para conseguirmos bons resultados. Mas a conjuntura está muito negativa e as expectativas das empresas estão muito prejudicadas", disse Bruni.

Vendas futuras. A empresa vai continuar analisando oportunidades de vendas de ativos, mas não perdeu de vista a estratégia de crescimento de longo prazo, disse o executivo. A ideia, segundo ele, é negociar imóveis maduros, que já tenham passado por um ciclo de ganhos. Sobre processos em andamento, o presidente evitou dar detalhes sobre possíveis conversas com a Brookfield, mas afirmou que há negociações que podem levar meses ou anos.

Em comunicado divulgado ontem, a empresa disse que o valor está sujeito a determinados ajustes e que a operação ainda depende da aprovação das autoridades e da "verificação de condições precedentes pelas partes". / Lucas Hirata, com Reuters

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