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BRA age para evitar falência

Empresa decide entrar com pedido de recuperação judicial para tentar atrair um novo investidor

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A BRA decidiu entrar com pedido de recuperação judicial. A empresa contratou o escritório de advocacia Felsberg e Associados, responsável pela recuperação judicial da Parmalat, para representá-la na ação. Com dívidas de US$ 100 milhões, principalmente com bancos e empresas de leasing, a BRA quer a proteção da lei para atrair um novo investidor. A empresa precisa de R$ 30 milhões para voltar a operar.A BRA corre o risco de ter a falência pedida por algum credor, por isso corre contra o tempo para acertar a papelada e entrar o mais rápido possível com o pedido de recuperação judicial. A expectativa é que isso aconteça no início da próxima semana, possivelmente na segunda-feira. Uma eventual decretação de falência, no caso de companhia aérea, implica a perda da concessão, seu principal ativo. Uma vez aceito o pedido de recuperação judicial, a empresa tem mais chance de atrair investidores. Isso porque, qualquer aporte ou empréstimo feito durante o período de recuperação - o chamado crédito extraconcursal - tem prioridade na hora do pagamento. Segundo uma fonte próxima à BRA, a empresa aposta em um novo investidor, uma vez que chegou ao limite o apetite do Brazil AirPartners, fundo formado por um grupo de investidores que em dezembro do ano passado adquiriu 20% da companhia. A Brazil AirPartners, que investiu R$ 180 milhões para se associar à BRA, condicionou fazer novos aportes à saída de Humberto Folegatti. Ele abriu mão recentemente da presidência-executiva, mas não da presidência do conselho de administração. Com a recuperação judicial, são os credores que definem os rumos da empresa, e não se descarta a saída dos irmãos Folegatti do negócio. "Não se faz uma omelete sem quebrar o ovo", afirma a fonte. A maior parte da dívida de US$ 100 milhões da BRA está nas mãos de um pequeno grupo de bancos, brasileiros e estrangeiros, além de duas ou três empresas de leasing. Boa parte da dívida com bancos está lastreada em recebíveis de cartão de crédito. A empresa tem dívida pequena com trabalhadores, no valor de R$ 7 milhões. A dívida com fornecedores de combustível soma cerca de R$ 15 milhões, sendo R$ 1 milhão com a BR Distribuidora e o restante com a Shell. Mas a BRA não terá a mesma sorte que a Varig, que conseguiu, com a lei de recuperação, impedir o arresto de aviões por parte das empresas de leasing. De lá para cá, a lei foi modificada e, agora, os aviões podem ser arrestados a qualquer momento.

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