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BRA atrasa pagamento a fornecedor

Em crise, a BRA ainda não garantiu financiamento com o BNDES para a encomenda de US$ 1,4 bi junto à Embraer

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2007 | 00h00

Depois de pedir a redução da malha de vôos por causa do corte de sua frota de aviões pela metade, a BRA está com dificuldades para pagar fornecedores e honrar compromissos assumidos. Um dos prestadores de serviços à terceira maior companhia aérea do País confirmou, sob a condição do anonimato, que não recebe há dois meses. Essa situação pode ameaçar a compra de 40 jatos da Embraer, no valor de US$ 1,4 bilhão, relatam cinco executivos do setor aéreo ouvidos pelo Estado, que também pediram para não ter os nomes revelados.De acordo com um desses executivos, o contrato assinado com a Embraer exige um sinal de US$ 10 milhões para a compra firme de 20 jatos. Os 20 restantes são opções de compra. Esse valor equivale a 15% do preço de tabela de três jatos modelo 195, para 118 passageiros. A compra, conta a fonte, foi dividida em várias parcelas pela Embraer para a BRA, que já estaria atrasando o pagamento. Procurada pela reportagem, a Embraer não quis se pronunciar. A BRA informou, por e-mail, que "não comenta rumores ou especulações de mercado por entender que carecem de embasamento". O mesmo problema estaria acontecendo com a empresa de arrendamento de aviões (leasing) da General Electric, a GE Capital. Como a Embraer só poderia entregar os primeiros aviões a partir do segundo semestre de 2008, a BRA negociou com a GE a compra de dois jatos 195 que seriam entregues no primeiro semestre de 2008. Nesse caso, o adiantamento acertado teria sido de três mensalidades do leasing, no valor de US$ 270 mil cada. O pagamento também estaria atrasado e a compra sujeita a cancelamento. A GE foi procurada, mas não retornou as ligações até o fechamento dessa edição. A BRA informou que "a informação não procede, pois a empresa teve uma pendência no pagamento de uma parcela de um leasing de outra aeronave, que já foi quitado". Somente depois da chegada desses aviões é que a BRA estaria disposta a formalizar um pedido de financiamento ao BNDES. Um dos executivos do setor aéreo diz que a formalização do pedido, por meio de uma carta consulta, já teria sido entregue. O BNDES nega a informação. O financiamento do BNDES é essencial para viabilizar a compra dos aviões da Embraer pela BRA.Um executivo de área de aviação conta que o deputado estadual Vicente Cândido (PT-SP) estaria intermediando junto ao BNDES um financiamento de 100% da compra dos aviões da Embraer. O banco não confirma e acrescenta que seu padrão de financiamento em negociações de aviões é de 85%. O deputado, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não comentaria o assunto. Cândido também teria sido o responsável pela presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de assinatura do contrato entre a BRA e a Embraer, no dia 21 de agosto. A BRA informa que o deputado, que esteve presente à cerimônia, foi convidado pela Embraer. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também compareceu ao evento. Ambos, na ocasião, comemoraram a negociação. "Essa compra foi um factóide", diz um executivo do setor aéreo. "A BRA não tem condição nenhuma de honrar o compromisso que assumiu com a Embraer", afirma o representante de outra empresa aérea. De acordo com um fornecedor da BRA, o principal problema da BRA é que seus investidores, reunidos num grupo chamado Brazil Air Partners, não querem mais aportar recursos na empresa. São fundos de investimento como o Gávea, do ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga, e os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America. Em dezembro de 2006, compraram 20% da BRA por R$ 180 milhões. Sem o dinheiro deles, não há como bancar a encomenda.Os acionistas minoritários querem a saída do presidente da BRA, Humberto Folegatti, da direção executiva da companhia. Folegatti, segundo uma pessoa ligada aos acionistas da BRA, teria aceitado sair da direção da companhia, mas exigiu uma indenização e um cargo no conselho de administração. Em recente entrevista, o executivo já havia admitido a possibilidade de deixar o cargo.

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