BRA suspende todos os vôos e demite funcionários

Companhia orienta passageiros a não se dirigirem aos aeroportos antes de entrarem em contato a empresa

Alberto Komatsu e Mariana Barbosa, do Estadão,

06 de novembro de 2007 | 16h28

A BRA vai suspender temporariamente todos os seus vôos domésticos e internacionais a partir das 12 horas desta quarta-feira, 7. A empresa tem 70 mil passagens vendidas até março de 2008. Em nota, a companhia orienta seus passageiros a não se dirigirem aos aeroportos ou lojas antes de entrarem em contato com o telefone de atendimento da empresa (11) 3583-0122. Os passageiros com passagens compradas deverão ser transportadas por outras empresas aéreas.   A empresa confirmou ainda que todos os 1.100 funcionários serão demitidos. A BRA atendia 35 vôos domésticos por semana e 55 nos finais de semana para 26 destinos nacionais. Além disso, mais 3 vôos semanais para Madrid, 5 para Lisboa, e 2 para Milão. De janeiro a setembro deste ano, a companhia atendeu 2 milhões de passageiros, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que representa uma média mensal de 220 mil passageiros.   A frota da companhia era formada por dois aviões Boeing 767-300 e nove aviões Boeing 737-300. Em 18 de outubro, a BRA passou a operar com apenas seis aviões Boeing 737-300, sendo um de reserva. Segundo dados da Anac de setembro, a empresa tinha 4,6% do mercado doméstico, à frente da Ocean Air, que estava com 2,61%.   Saiba quais são seus direitos em caso de problemas nos aeroportos    Segundo fontes, a suspensão da operação da BRA vale até a companhia conseguir um novo aporte de capital de seus investidores, reunidos no Brazil Air Partners. Entre alguns dos integrantes desse fundo, estão a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America.   Histórico da empresa   1999 - Criação da Brasil Rodo Aéreo (BRA), com o objetivo de competir com os ônibus, com apenas um avião.   2000 - BRA começa a receber aviões da Varig, beneficiada pela crise da então maior companhia aérea brasileira.   2003 - A Soletur, a maior operadora de turismo na época, pediu falência e acusou a BRA de ser uma das responsáveis pela sua crise. Um dos motivos seria o fato de a extinta Varig Travel vender passagens da BRA e não da Varig.   2006 - O Brazil Air Partners e bancos como o Bank of America e Goldman Sachs compram 20% do capital da BRA por R$ 180 milhões. Um fornecedor da BRA, que não recebe há dois meses, afirma que já teriam sido aportados cerca de R$ 100 milhões. O restante só deveria ser desembolsado após a saída do presidente da BRA, Humberto Folegatti, que renunciou no dia 1º, após acordo fechado com os investidores, que queriam seu cargo para poderem reestruturar a companhia.   21 de agosto de 2007 - BRA e Embraer assinam contrato para a compra de 40 jatos Embraer 195, para 118 passageiros, em negócio avaliado em US$ 1,4 bilhão. O presidente Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, presentes à cerimônia, comemoram a negociação.   10 de outubro de 2007 - A Anac instaura uma auditoria na área operacional e de manutenção da BRA, após ter registrado um aumento excessivo no número de reclamações por atrasos e cancelamentos de vôo.   18 de outubro de 2007 - Anac suspende temporariamente venda de passagens internacionais da BRA.   19 de outubro de 2007 - BRA passa a operar com cinco aviões, de uma frota de 11, e pede a redução da malha doméstica de vôos.   30 de outubro de 2007 - BRA suspende, por tempo indeterminado, os vôos internacionais.   2 de novembro de 2007 - BRA anuncia a renúncia de seu presidente, após pressão dos investidores. O executivo negociou uma indenização e sua permanência no conselho de administração.   06 de novembro de 2007 - BRA pede à Anac a suspensão de todos os seus vôos temporariamente.

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