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Bradesco abre mil agências em seis meses para compensar Banco Postal

Finanças. Após perder para o Banco do Brasil o direito de administrar o Banco Postal, uma parceria com os Correios, Bradesco investe mais em crescimento orgânico; banco também assume em janeiro a folha de pagamento dos funcionários do governo do Rio

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, PATRÍCIA CANÇADO, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h02

No início deste ano, o Bradesco tinha uma meta estabelecida de abrir 180 novas agências até dezembro. O banco, porém, ultrapassou em muito essa meta: abriu até o momento 1.051 novas unidades - sendo 1.003 só no segundo semestre.

Tamanho esforço de expansão tem duas explicações. A primeira é a perda do Banco Postal (uma parceria com os Correios, que era operada pelo Bradesco e foi para o Banco do Brasil, após um disputado leilão em junho). Com isso, o banco perdeu de uma só vez 6 mil pontos de atendimento em todo o Brasil, e resolveu investir para compensar.

O outro motivo é que, em janeiro, o Bradesco passa a administrar a folha de pagamentos dos funcionários do governo do Rio, e precisou reforçar a rede lá. Para atender os servidores públicos, abriu 92 agências no Estado.

De acordo com o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, esse será o diferencial competitivo do banco: ter uma rede de atendimento presente em todo o País. "Queremos ser o banco das pequenas, médias e grandes cidades", disse ele.

No total, foram investidos cerca de R$ 2 bilhões este ano nas agências, sendo R$ 890 milhões na abertura de novas unidades e remodelação de antigas, e cerca de R$ 1,1 bilhão em tecnologia. No total, o banco tem hoje 4.607 agências e 1.325 postos de atendimento. Contando também os postos avançados de atendimento (PAAs), o Bradesco chega a uma rede com mais de 8 mil pontos.

Segundo Trabuco, dentro dessa estratégia, o foco é procurar regiões emergentes do País, com potencial de se transformarem em polos comerciais. Ele cita como exemplo uma agência recém-aberta na cidade de Tailândia, no Pará. Com 70 mil habitantes, o município é um grande produtor de biodiesel a base de dendê.

Mão de obra. Escalar 5,9 mil pessoas para trabalhar nas agências foi a parte mais desafiadora do projeto de abertura de mil agências em seis meses. O banco usou a cultura sui generis - de não buscar os talentos no mercado - a seu favor. Toda a gerência, mão de obra mais difícil de encontrar e formar, veio da própria base de funcionários do banco.

"A cultura do banco é de formar os funcionários internamente. Nesse caso, nós aceleramos a carreira dessas pessoas", disse Domingos Figueiredo de Abreu, vice-presidente executivo do Bradesco. Ele disse também que o banco tomou cuidado para não deixar essa operação vazar. O risco era o mercado imobiliário saber e dar origem a uma especulação nas cidades. "Alugamos todos os imóveis antes, sem nos identificar."

No caso específico do Rio, foi montada praticamente uma operação de guerra, com 11 tendas armadas em diversas cidades, incluindo a capital. Em 70 dias, o banco teve de transferir 450 mil contas. A maior tenda tinha cerca de 2 mil m² e 350 checkouts. "Abríamos 10 mil contas por dia nessa tenda", disse Josué Augusto Pancini, diretor executivo adjunto, responsável pela área de varejo do Bradesco.

Trabuco acha que ainda há espaço para mais aberturas de agências bancárias no Brasil. Os índices de inclusão bancária e de agências por habitantes ainda são baixos no Brasil, na comparação com outros países, disse. Por aqui, são 1,4 mil agências para cada 10 mil habitantes. Na Europa e nos Estados Unidos, essa média sobe para 3,2 mil.

"A economia vai continuar crescendo. São mais pessoas no sistema financeiro. O crescimento orgânico é nossa resposta a essa realidade", disse ele.

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