Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bradesco e Itaú lançam fundos para quem quer investir em empresas chinesas

Fundos da XP focados no mercado da China já atraíram R$ 1 bilhão apenas este ano

Aline Bronzati e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2021 | 10h00

Os rivais Bradesco e Itaú Unibanco estão lançando fundos para brasileiros investirem em empresas chinesas, animados pela crescente demanda por aplicações no país asiático, antes tido como uma opção "exótica". Primeira economia a se recuperar da pandemia, a China tende a seguir com crescimento robusto, acima de 8% este ano, no caminho para se consolidar como a maior potência global pela frente. 

O potencial da China e o respectivo interesse dos brasileiros por exposição neste mercado aguçaram o faro das gestoras brasileiras, que têm se debruçado em um portfólio sob medida para investidores locais, desde os clientes de varejo até aqueles mais abastados. A XP, primeira a desbravar o mundo chinês, há menos de um ano, já atraiu R$ 1 bilhão em seus produtos somente em 2021, um deles um fundo com aplicação mínima de R$ 100.

"O Brasil está preenchendo uma lacuna e modernizando o acesso aos investidores. A China deixou há muito tempo de ser um tema exótico, passou a ser um ativo básico de alocação em qualquer carteira global bem diversificada", diz o sócio responsável por fundos internacionais da XP, Fabiano Cintra. "É o lugar para se estar."

Centro do surgimento da covid-19, a China viu sua economia saltar 18,3% no primeiro trimestre (na comparação anual),  acima do esperado por analistas, segundo dados oficiais. Nesse sentido, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou este mês a projeção de crescimento da China em 2021 para 8,6%, patamar no mundo inferior apenas ao da Índia, que deve disparar 12%. Em 2022, a expansão deve ficar em 5,6%, menor em relação a este ano, mas novamente um dos níveis globais mais altos. A China, sozinha, vai representar um terço da expansão mundial nos próximos 5 anos.

"As opiniões variam, mas já está dado que a China vai ser a maior economia do mundo. A pergunta é quando. Tem casas em que falam em 2026, outras em 2028. Como ficar de fora dessa história?", questiona o executivo da XP.

Nesse cenário, o Bradesco se aliou a grandes gestoras de recursos chinesas para lançar um fundo focado em empresas do país asiático. Com o suporte local, o veículo busca superar o índice MSCI China e começa a ser ofertado a partir desta segunda-feira, 19, com foco nos investidores qualificados, ou seja, com R$ 1 milhão de recursos alocados no mercado.

"A China é um mercado que vem atraindo a atenção dos brasileiros e do mundo todo dada a fortaleza de sua economia e a velocidade que continua crescendo", afirma o diretor executivo do Bradesco, Roberto Paris, que assumiu o comando da gestora do banco, a Bram, no mês passado. "A realidade da China e os laços do Brasil com o País nos motivaram a lançar um fundo."

A aposta em China é parte do reforço da Bram em uma prateleira internacional, iniciado em 2020. Na ocasião, eram R$ 1,5 bilhão de recursos de clientes brasileiros alocados no exterior, segundo o superintendente executivo da Bram, Ricardo Eleutério. Hoje, este número, impulsionado pela queda dos juros e a busca por diversificação, está perto dos R$ 6 bilhões. "O número se multiplicou por cinco. A variação cambial contribui, mas há demanda crescente do cliente por diversificação", diz Eleutério. "A China se encaixa perfeitamente nessa agenda."

Já o Itaú vai lançar até o fim de abril um fundo para ações na China, adiantou ao Estadão/Broadcast o diretor comercial da Itaú Asset, Stefano Catinella. "Tem muito cliente que vê a China saindo mais rapidamente da pandemia na comparação com outros mercados e quer se aproveitar da tendência de crescimento do país, procurando uma carteira 100% exposta a empresas chinesas", destaca o executivo.

O fundo vai ter exposição maior em setores de tecnologia, serviços financeiros, varejo e comunicações. "Tem cada vez mais investidor demandando." Catinella acredita que este fundo tem potencial ao longo do tempo para ter patrimônio semelhante a produtos do banco voltados para os Estados Unidos, com quase R$ 5 bilhões. O fundo vai aplicar na China por meio de um ETF (fundo de índice).

"Quando teve o período de taxas de juros mais altas, a gente tinha um pouco de dificuldade de colocar os produtos na prateleira por causa de demanda", afirma Catinella. Com os juros chegando nas mínimas históricas, a tendência de diversificação aumentou, inclusive com maior disposição de buscar proteção em dólar, para momentos de maior estresse em meio a ruídos políticos.

Small caps

A XP, primeira brasileira a apostar no potencial chinês, já tem mais de R$ 2 bilhões de recursos levantados junto a investidores locais e com exposição no país asiático. Para Cintra, a China é muito grande para ser ignorada. Segundo o sócio da corretora, a XP planeja um novo fundo para o país, focado em empresas de menor porte, as "small caps". "Os unicórnios vão aparecer na China, cada vez mais. Há espaço ainda para fundos temáticos, voltados à tecnologia chinesa, por exemplo", diz. O potencial internacional, conforme ele, é enorme. Dos quase R$ 6 trilhões do mercado brasileiro, somente 1% está alocado fora. 

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