Bradesco lucra R$ 2,2 bi no 4º tri e bate recorde em 2007

No acumulado de 2007, o maior banco privado do País teve ganho recorde de R$ 8,010 bilhões

REUTERS

28 de janeiro de 2008 | 09h04

O Bradesco divulgou nesta segunda-feira, 28, lucro líquido de R$ 2,193 bilhões no quarto trimestre, expansão de quase 29% sobre o mesmo período de 2006. No acumulado de 2007, o maior banco privado do País teve ganho recorde de R$ 8,010 bilhões.  O Bradesco foi o primeiro dos grandes bancos do Brasil a anunciar resultados referentes ao quarto trimestre e a 2007. O retorno sobre o patrimônio líquido médio - importante indicador da rentabilidade de um banco - foi de 31,4% no ano passado, estável na comparação com 2006. Nos últimos anos, os lucros dos bancos no País têm sido impulsionados pela forte expansão do crédito. No caso do Bradesco, a carteira de crédito total (considerando avais, fianças e recebíveis de cartões de crédito) atingiu R$ 161,407 bilhões no fim de 2007, expansão anual de 38,9%.  Para 2008, a previsão de crescimento da carteira é de 21% a 25%, segundo o presidente da instituição, Márcio Cypriano. O segmento de empréstimo consignado deve avançar de 90% a 110%, isto em razão da compra do BMC, banco especializado neste mercado. As operações com pessoas físicas totalizaram R$ 59,277 bilhões, crescimento de 34,2%, e as operações com pessoas jurídicas atingiram R$ 102,130 bilhões, avanço de 41,7%. Cypriano afirmou também que o banco deve destinar R$ 5,3 bilhões para a produção de operações de crédito imobiliário neste ano. O montante representa um crescimento de 30% em relação aos R$ 4,088 bilhões do ano passado.Segundo o executivo, há uma grande demanda por operações tanto de pessoas físicas como de construtoras e incorporadoras. A grande procura pelo crédito fez a instituição ultrapassar a meta de produção em 2007, que era de R$ 3 bilhões. O banco encerrou 2007 com ativos totais de R$ 341,184 bilhões, alta de 28,5% sobre dezembro do ano anterior. Em 2006, o Bradesco teve lucro líquido de R$ 5,054 bilhões. O ganho foi reduzido por amortizações de ágios de aquisições. Internacionalização Segundo Cypriano, o banco está hoje muito mais à vontade para avaliar o processo de internacionalização, devido ao aumento do seu valor de mercado, que está em US$ 60 bilhões, enquanto o patamar dos bancos internacionais caiu - em razão da crise global. "O Bradesco está muito mais para caçador do que para caça", destacou. Segundo ele, o banco pode avaliar oportunidades de compra no exterior, embora não haja nada em vista no momento. O executivo destacou, porém, que o Bradesco não pretende atuar em varejo fora do País. Sobre o processo de consolidação no Brasil, Cypriano reiterou que a instituição está sempre atenta a possibilidades de compra, como a da corretora Ágora. De acordo com ele, a negociação ainda é bastante inicial, sendo necessário ainda cumprir o processo de auditoria legal - para uma eventual conclusão do negócio. Se for concretizada a aquisição da Ágora, atual vice-líder de negociações na Bovespa, o Bradesco passará ao primeiro lugar no ranking deste mercado. O presidente do Bradesco negou rumores de que o banco estaria negociando a compra das operações do Citibank no Brasil. "Não acredito que o Citi sairá do País, pois a operação brasileira é extremamente importante para a instituição", comentou.  Mercados Sobre a crise internacional que provoca grande instabilidade nos mercados, Cypriano afirmou que a turbulência não deve adiar o investment grade no Brasil. "Pelo menos, uma das três agências de rating deve dar up grade ao País ainda neste ano", afirmou. Para o executivo, a crise também não deve provocar um aumento de juros no Brasil. Ele acredita que a taxa básica do País, a Selic, fechará este ano no mesmo patamar atual, ou seja, em 11,25% ao ano. Na avaliação de Cypriano, o Brasil "sentirá algum arranhão com a crise", mas esse não deve afetar o crescimento da economia. O Bradesco estima que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) ficará em 4,50% neste ano. A projeção para a inflação é que o IPCA termine 2008 em 4,50%. O banco prevê ainda câmbio de R$ 1,75 no final deste ano. Cypriano também comentou as afirmações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que as regras de Basiléia 2 devem ser reforçadas devido à crise internacional. "Aparentemente, há uma intenção de se mexer na base de capital. Mas o Brasil já adota Basiléia de 11%, que representa uma grande folga sobre os 8% do mercado internacional e que é bastante confortável", afirmou.  (com Silvia Fregoni, da Agência Estado)

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