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Bradesco paga R$ 1,8 bi e vence leilão pelo Berj

Com aquisição, banco leva cerca de 800 imóveis, incluindo salas e agências fechadas, e a folha de pagamentos dos servidores do Rio

Glauber Gonçalves, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

Com uma oferta agressiva, o Bradesco arrematou o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj) por R$ 1,025 bilhão, um ágio de quase 100% valor mínimo estipulado pelo governo. No total, o banco desembolsará R$ 1,8 bilhão, referentes ao lance dado pelo Berj e à folha de pagamento dos servidores ativos e inativos do Estado, também incluída no leilão realizado ontem no prédio da antiga bolsa de valores do Rio.

A venda saiu depois de duas outras tentativas fracassadas. Na avaliação de analistas, a folha de pagamento foi o principal atrativo do leilão. "É o segundo maior Estado da federação. Tem um universo respeitável de funcionários públicos. Isso justifica esse ágio tão grande", avalia Luis Miguel Santacreu, da consultoria Austin Asis.

Entre inativos e inativos, o Estado tem cerca de 400 mil servidores com conta bancária, para os quais o Bradesco pode oferecer serviços como empréstimos e cartões de crédito, por exemplo. O banco vai operar a folha por três anos, começando em janeiro do ano que vem. Hoje, o Bradesco já faz o pagamento dos servidores do Amazonas, Ceará e Pernambuco e de mais de mil prefeituras.

O lance dado pelo banco ficou bem acima dos R$ 729,3 milhões ofertados pelo Banco do Brasil, segundo colocado na disputa. Também participaram do leilão o Itaú Unibanco e o Santander.

Para o analista Pedro Galdi, da corretora SLW, havia uma expectativa de que o Banco do Brasil ganharia a disputa. "O banco fez uma capitalização recentemente e está com apetite para crescer, tanto que fez aquisições até no exterior."

O Bradesco e os outros participantes do leilão também foram atraídos por créditos que o Berj tem contra a União e por prejuízos fiscais de R$ 3 bilhões, ativos que podem ser usados pelo comprador para abater impostos.

Para isso, a instituição precisa demonstrar para a Receita Federal que tem capacidade de gerar lucro futuro. "Na hora em que se gera o lucro, em vez de pagar o imposto com esse lucro, usa-se o crédito tributário para abatimento", explica Santacreu.

Presença maior. Com a aquisição, o Bradesco reforça sua presença no Rio. O plano do banco é implantar cerca de 40 postos de atendimentos aos servidores nas diversas secretarias de Estado e abrir "várias agências", informou o diretor do Bradesco Poder Público, Renan Mascarenhas Carmo, sem precisar qual será o número de novas unidades. Com a compra do Berj, que já não tinha agências em operação, o Bradesco levará cerca de 800 imóveis, incluindo salas e ex-agências, além de mobiliário.

Perguntado sobre o lance dado, Carmo disse que achou o valor justo. "Cada organização tem a sua estratégia e um olhar sobre as coisas. Tenho certeza de que compramos por um bom preço", declarou o executivo, ao comentar que, nesse tipo de leilão não se pode arriscar uma ida para a segunda rodada.

Para Santacreu, a compra do Berj melhora a posição do Bradesco na onda de compras de bancos que tem sido observada no País. Favorito nas negociações para comprar uma fatia de 49% do Banco Carrefour, no mês passado, a instituição acabou perdendo para o Itaú Unibanco - um negócio de R$ 725 milhões.

Na avaliação de Santacreu, o Bradesco deve continuar agressivo nesse processo. "Dessa vez ele teve sucesso. No fim do mês, teremos o leilão do Banco Postal, e o Bradesco deve entrar com bastante força", disse. Em 2001, o Bradesco pagou R$ 200 milhões para operar o Banco Postal. A expectativa é todos os grandes bancos entrem na disputa este ano.

De acordo com Carmo, o pagamento do Berj será feito em duas etapas. Primeiramente, devem ser pagos 20% do valor do lance dado pelo banco, seguido pelo valor referente à folha de pagamento. Os 80% restantes devem ser quitados em 150 dias. O leilão foi realizado pela BM&F Bovespa e teve consultoria da FGV Projetos, para as quais serão pagos 1% e 3% do valor do lance, respectivamente.

PARA LEMBRAR

Apelidado de "parte podre" do Banerj, banco privatizado em 1997, o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj) ficou nas mãos do governo estadual. É composto por ativos e passivos e tem entre seus principais trunfos uma conta de prejuízos fiscais superior a R$ 3 bilhões, que o comprador poderia usar para abater impostos a pagar.

O Banerj foi comprado pelo Itaú, dentro da onda de privatizações de empresas nos anos 90. Na época, estatais de outros setores, como os de telecomunicações e energia, também foram repassadas à iniciativa privada.

Esta era a terceira vez que o governo tentava leiloar o Berj. A última tentativa aconteceu em maio do ano passado. Estavam inscritos na disputa o Itaú e o Bradesco, mas nenhum apresentou lance na última hora.

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