Bradesco pede autorização ao Banco Central do México para operar no país

Objetivo é atuar na área de atacado, com a intenção principal de auxiliar empresas brasileiras que operam no exterior e multinacionais interessadas em investir no Brasil

Altamiro Silva Júnior, correspondente em Nova York, e Josette Goulart, de São Paulo, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2013 | 02h08

Depois de ver seus principais concorrentes na área de atacado fincarem suas bandeiras pela América Latina, o Bradesco decidiu dar seu primeiro passo nessa direção. Ontem, o vice-presidente executivo da instituição, Sérgio Clemente, disse em Nova York que pediu ao Banco Central do México autorização para abrir um banco múltiplo no país. O objetivo: prestar assessoria e serviços para companhias brasileiras que operam no exterior e multinacionais interessadas em investir no Brasil.

A estratégia na área de banco de investimentos, que atende a empresas, é nova no Bradesco. Até então, a instituição só falava em estar presente na Ásia, Europa e Estados Unidos e que prestava esse tipo de assessoria no mercado latino-americano por meio da própria estrutura brasileira. Na parte de varejo, o banco já estava presente no país com uma operação de cartão de crédito, por meio da aquisição do banco Ibi. E foi justamente essa experiência que fez a companhia querer partir para novos negócios no país. A expectativa é que a autorização saia no começo de 2014.

Concorrência. Dois dos seus principais concorrentes privados, de capital nacional, o Itaú BBA e o BTG Pactual, estão avançando na América Latina. O Itaú BBA, por exemplo, quase triplicou suas receitas com o Itaú BBALatam desde 2011. A carteira de crédito cresceu 44%, principalmente com as operações de crédito para empresa no Chile.

Dentro da estratégia do banco de investimentos do Itaú, além da consolidação no Chile, estão também a expansão da operação no Peru e o início de uma operação no México. Hoje, as participações dos resultados de subsidiárias externas no Itaú BBA representam 10% do total do banco de atacado. A meta é chegar a 20% em cinco anos.

O Chile é considerado um mercado prioritário para o Itaú, onde o banco já possui uma grande atuação também no varejo. A carteira de crédito no país ultrapassa R$ 22 bilhões, com mais de 70% voltada para pessoa física. Durante a reunião anual com investidores, o presidente do banco, Roberto Setubal, disse que o Chile é estratégico por ser um mercado maduro, bem regulado, e que, como mercado financeiro, é maior que México e Argentina. O banco entrou no país com a compra do Bank of America em 2006.

Quem também está fortemente atuando no Chile é o BTG Pactual. Em abril deste ano, o Banco Central do Brasil aprovou a constituição do Banco BTG Pactual Chile, em Santiago, com capital inicial de US$ 50 milhões. Mas a operação ainda aguarda aprovações das autoridades chilenas. O banco, entretanto, já tem atuação no país. Em 2012, adquiriu a Celfin Capital, com operações no Chile, Peru e Colômbia. Além de ter comprado 100% das ações em circulação da empresa, pagou US$ 451 milhões para os proprietários da corretora.

Pelo mundo. Além de sua operação no México, o Bradesco também informou ontem que vai abrir uma nova agência em Londres, que será subsidiária de Luxemburgo, para dar suporte às operações da Bradesco Securities. Vice-presidente executivo do banco, Clemente está em Nova York para um evento do Bradesco BBI, que reúne 64 presidentes e diretores financeiros de empresas brasileiras e ainda 520 investidores institucionais dos Estados Unidos e de outras regiões.

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