Bradesco quer ter 10 mil agências até 2004

O Bradesco está trabalhando para ter dez mil agências até 2004. O aumento de seis mil novas unidades virá, principalmente, pelas expansão de correspondentes bancários, especialmente o Banco Postal, que é uma associação do Bradesco com os Correios. O vice-presidente do grupo, Luiz Carlos Trabuco Cappi, acredita que essa é uma boa alternativa para o aumento do número de clientes, especialmente, os que não têm acesso à rede bancária. Ele citou como exemplo o fato de os Correios pagarem aposentadoria para um milhão de pessoas que não têm conta bancária. "Esses aposentados podem passar a ter acesso a uma linha de crédito", exemplificou Trabuco. Mas, pelas suas estimativas, o correio brasileiro tem 3,5 milhões de clientes em contas bancárias. O presidente do banco, Márcio Cypriano, enfatizou que ainda há muito espaço para o crescimento de um banco de varejo no Brasil. Ele citou dados do IBGE segundo os quais, da população de 170 milhões de pessoas, 85 milhões são economicamente ativas, 50 milhões têm contas em banco, mas apenas 30 milhões de fato movimentam suas contas. "O crédito bancário no Brasil corresponde à apenas 27% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo que as pessoas físicas movimentam apenas 10% do PIB. Há um espaço enorme para o aumento do crédito no Brasil", disse Trabuco. "O Brasil precisa voltar a crescer", afirmou Cypriano. E ele acredita que há condições para isso, citando como exemplo o bom desempenho do setor agrícola nacional. Na sua opinião, o crescimento econômico é a melhor forma para reduzir as tensões no País. Para ele, a crise que hoje afeta a economia brasileira está mais presente nas grandes metrópoles do que no interior. "Há grande dinamismo em diversos setores como cana-de-açúcar e soja que estão em crescimento acelerado. A previsão do governo de uma safra de 105 milhões de toneladas tem todas as condições de se efetivar, ressaltou Cypriano. O presidente do Bradesco vê como necessário uma redução dos juros para injetar otimismo e aumentar os investimentos no setor produtivo. Ele acredita também que a economia mundial, especialmente a dos EUA, voltará a crescer em 2003 favorecendo o Brasil. Cypriano disse não estar preocupado com a sucessão presidencial. A seu ver, os principais candidatos têm manifestado que estão conscientes com as condições brasileiras e ele não acredita em nenhum tipo de aventura ou mudança radical no sistema econômico. CréditoA demanda por crédito no Brasil continua muito fraca. Segundo Cypriano, a previsão do Bradesco era registrar aumento de 25% nessas operações em 2002, e agora a projeção é de apenas 10% de aumento. No primeiro semestre, o Bradesco aumentou a carteira de crédito em apenas 6,5%.Segundo Cypriano, este quadro não é exclusivo do Bradesco, mas de todo o sistema bancário nacional. Ele enfatizou que o banco tem interesse em aumentar as operações de crédito que dão bom retorno financeiro ao banco, e só não está fazendo isso por falta de demanda. O banco não pretende fazer novas captações de recursos no exterior esse ano, a menos que haja este aumento na demanda.Segundo o presidente o mercado financeiro está voltando ao normal e alguns bancos internacionais já restabeleceram linha de crédito ao Brasil. Ele atribui a drástica redução dessa atividade pelos bancos internacionais principalmente ao prejuízos que esses bancos tiveram na Argentina. Cypriano ressaltou que o quadro eleitoral também influiu mas em proporções menores. O Bradesco, segundo ele, continua adotando a política de contabilizar a carteira de títulos públicos pelo critério de marcação a mercado apesar de o Banco Central ter flexibilizadas normas para isso.

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