Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bradesco reduz projeção para PIB de 2018 de alta de 1,5% para 1,1%

O banco também alterou as expectativas para o PIB do segundo e do terceiro trimestres, de queda de 0,3% para variação zero, e de elevação de 0,6% para 0,3%, respectivamente

Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2018 | 14h30

O Bradesco reduziu a projeção para o crescimento econômico deste ano. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 passou de alta de 1,5% para 1,1%. Caso a projeção se concretize, ficará sutilmente maior que o avanço de 1,0% apurado em 2017.

O banco também alterou as expectativas para o PIB do segundo e do terceiro trimestres, de queda de 0,3% para variação zero, e de elevação de 0,6% para 0,3%, respectivamente. Para 2019, a projeção de expansão é de 2,5% do PIB.

Em nota, o Bradesco avalia que os indicadores coincidentes e a produção industrial de junho mostraram recuperação dos resultados negativos de maio, provocados pelos problemas de abastecimento em decorrência da greve dos caminhoneiros, retornando aos patamares próximos aos observados antes da paralisação.

Apesar disso, pondera que os efeitos indiretos da greve sobre a confiança dos agentes têm se materializado, juntamente com uma piora nos índices de condições financeiras, notadamente câmbio, juros e risco país. 

Segundo o banco, os indicadores de confiança não se recuperaram para os níveis anteriores à greve - refletindo principalmente a piora das expectativas futuras dos empresários. Isso, conforme a instituição, pode comprometer o investimento e o consumo ao longo do segundo semestre.

"No mesmo sentido, os dados de emprego seguem sem apresentar melhora nos últimos meses. Por esses motivos, a transição do segundo para o terceiro trimestre nos parece ser mais moderada do que esperávamos para a atividade econômica", analisa.

IPCA e Selic

O Bradesco explica que apesar de termos mantido a estimativa de 4,10% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2018, reconhece que a recente apreciação cambial ajudou a reduzir o risco de inflação no curto prazo. Segundo o banco, houve mudanças nas duas direções - de melhora e piora - dos índices inflacionários no último mês. Porém, acrescenta, os vetores parecem se compensar a essa altura. Para 2019, a projeção é de 4,25% para o IPCA.

Na avaliação do Bradesco, os riscos de aumento dos preços do frete, da piora do cenário de chuvas e da pressão por repasse de custos vinda do atacado são fatores de alta para o IPCA. A instituição ressalta que o tamanho do impacto da nova tabela de fretes, que ainda não definida,  sobre a inflação é incerto. Mas, explica, se considerar um estudo da Fundação Dom Cabral (FDC), pode ser relevante.

"De um universo de 130 empresas pesquisadas, os custos logísticos como proporção do faturamento bruto chegaram a 12,37% em 2017. A atividade econômica moderada e eventuais alternativas que serão encontradas pelas cadeias produtivas poderão limitar esse impacto nos preços, mas alguma pressão altista tende a aparecer", cita.

Além disso, o cenário de chuvas pior, aumentando o risco de o País terminar o ano com a bandeira vermelha (patamar 1 ou 2), ou mesmo ocorrer algum reajuste no valor cobrado em cada patamar. Atualmente, o banco considera que no final de 2018 a bandeira tarifária retornará para amarela. "Caso fique em vermelha 1, acrescenta-se 0,14 ponto porcentual ao nosso número do ano e, se vier a ficar em vermelha 2, 0,28 ponto de adicional", calcula.

O Bradesco cita ainda como fator de eventual pressão inflacionária o aumento do hiato entre os preços industriais no atacado afetados pelo câmbio e os praticados no varejo. Até o momento, contudo, devido à fraca evolução da atividade econômica, avalia que o varejo tem absorvido parte dessa alta, o que deve estar impactando a margem dessas empresas, exigindo monitoramento do risco de repasse.

"Com um quadro que combina inflação compatível com as metas para os próximos dois anos e lenta retomada da atividade, mantivemos nossa visão de que os juros seguirão em 6,5% até o final de 2018", afirma o Bradesco, que tem como economista-chefe Fernando Honorato.

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