Alex Silva/Estadão
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Bradesco tem queda de 23,1% no lucro no terceiro trimestre

Apesar da queda em relação ao ano passado, resultado, de R$ 5 bilhões, veio acima do esperado por analistas, que estimavam lucro de R$ 4 bilhões

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 19h29
Atualizado 29 de outubro de 2020 | 07h56

O banco Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 5,03 bilhões no terceiro trimestre, queda de 23,1% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, que havia sido de R$ 6,54 bilhões. Na comparação com os três meses anteriores, quando todo o mercado financeiro foi afetado pela fase mais aguda da pandemia, o resultado foi 29,9% maior. De janeiro a setembro, o lucro somou R$ 12,66 bilhões, com retração de 34,2% sobre o mesmo período de 2019. 

O lucro líquido ficou 6,4% acima da estimativa média dos analistas. Para o período, a projeção de seis instituições financeiras consultadas pelo Estadão/BroadcastBTG Pactual, Goldman Sachs, Itaú BBA, JP Morgan, UBS BB e XP – era de lucro líquido de R$ 4,7 bilhões, refletindo alta de 23% em relação ao trimestre anterior e retração de 27% sobre 2019.

Segundo o presidente executivo do banco, Octavio de Lazari Jr., os números exibidos pelo Bradesco entre julho e setembro mostram que o pior da pandemia de covid-19 ficou para trás. “É um balanço com os primeiros sinais de reencontro com a normalidade, depois dos impactos da paralisação econômica com a pandemia”, disse.

Na visão do executivo, o ano tem sido um “teste de estresse prático” sobre a resiliência operacional do banco, que até o momento foi superado. “Entendo que este balanço já indica que passamos pelo teste, demonstrando solidez financeira adequada e capacidade de geração de resultados.”

No entanto, o Bradesco sabe que ainda vêm desafios pela frente. Segundo Lazari, o encerramento do auxílio emergencial e o fim das prorrogações dos empréstimos não deverão trazer grande impacto para a instituição, uma vez que os eventuais atrasos já estão provisionados. O executivo diz acreditar em possibilidade de recuperação das ações da instituição até o fim do ano. Desde o início de 2020, as ações do Bradesco acumulam desvalorização de 38%, patamar semelhante ao de seus concorrentes. 

As provisões do Bradesco, no conceito 'expandida', somaram R$ 5,588 bilhões no terceiro trimestre, queda de 37,1% ante o período imediatamente anterior. Na comparação anual, houve um salto de 67,5%. Ainda no terceiro trimestre a instituição financeira, mantendo a postura conservadora, fez uma provisão adicional de R$2,6 bilhões, para se preparar para a inadimplência esperada para 2021.

Lazari citou a importância de uma estratégia de redução de custos, em um ambiente de juros baixos, mais competição e mudanças regulatórias. “O crédito irá merecer foco permanente, principalmente em linhas com alto potencial de fidelização, como o financiamento da casa própria”, exemplificou. A carteira de crédito do Bradesco totalizou R$ 664,4 bilhões de julho a setembro, com crescimento de 11,7% em 12 meses.

O banco encerrou setembro com R$ 1,66 trilhão em ativos, alta de 18,2% em um ano. Já o patrimônio líquido atingiu R$ 137,46 bilhões no terceiro trimestre, queda de 0,6% na mesma comparação. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi a 15,2%, ante 20,2% de igual período de 2019.

Débitos prorrogados

O Bradesco prorrogou os vencimentos de dívidas que totalizam R$ 73 bilhões, de 2,2 milhões de contratos, para dar fôlego aos clientes em meio à chegada da pandemia. Segundo o balanço do banco, o equivalente a R$ 1,4 bilhão deste total estava com pagamento em atraso de 30 dias. É um valor superior ao R$ 1 bilhão reportado em 20 de setembro e dos R$ 900 milhões divulgados em 20 de junho.

O banco informou ainda que, do total de vencimentos adiados, 92% estavam em dia na época da prorrogação e 70% tinham garantia real. Além disso, o Bradesco informa que 94% estão classificados nas categorias com menor risco de crédito. O tempo de relacionamento com esses clientes também é longo – em média, de 13 anos.

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