Bradesco se prepara para expansão do crédito em 2010

Banco está otimista e aposta em expansão de mais de 20% de sua carteira de crédito no ano que vem

Sílvia Araújo, da Agência Estado,

29 de dezembro de 2009 | 17h29

O Bradesco está otimista com as condições para o crédito no País no ano que vem e estima uma expansão entre 20% e 25% para sua carteira em 2010. A projeção supera ligeiramente a feita nesta terça-feira, 29, pelo diretor do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, que previu um avanço de 20% no estoque de crédito no sistema financeiro no próximo ano. A projeção do banco privado tem como pano de fundo um cenário de crescimento da economia, com mais emprego, melhora da renda e maior competitividade no setor financeiro.

 

Em entrevista à Agência Estado, o diretor do departamento de Crédito do banco, Nilton Pelegrino, diz que o aumento do volume de financiamentos para pessoa física e jurídica deve ficar em linha com a expectativa para a carteira total. No caso de empresas, ele observa que a estimativa fica um pouco mais concentrada em pequenas e medias companhias, uma vez que companhias de grande porte, muitas vezes, optam por outras fontes de financiamento, como o crédito externo.

 

Pelegrino observa que o índice de Basileia do banco, na casa de 17,7%, permite mais de R$ 200 bilhões para empréstimos, o que significa uma situação absolutamente confortável para a instituição em relação às suas estimativas de expansão da carteira.

 

Para atingir as projeções de emprestar mais, o banco já está adotando algumas estratégias, como a retomada das diretorias regionais. O objetivo é dar maior agilidade nas concessões de novos empréstimos. Pelegrino lembra que ele mesmo já foi um diretor regional do banco em 1994, época em que tomava conta de 200 agências, atuando como um diretor local. "O diretor regional está lá para representar o banco. Ou seja, executivos de empresas de grande porte dessas regiões não precisam se deslocar para até a matriz para fazerem negócios com a instituição", exemplifica. Também serão designados 52 supervisores para atender essas diretorias, dando suporte para em varejo e o prime.

 

O diretor também ressalta a presença garantida do banco em 100% dos municípios brasileiros como forma de expandir o crédito. Tal status foi alcançado no mês passado, quando o banco inaugurou um posto avançado de atendimento em Novo Santo Antônio, no Mato Grosso. "Existe uma transição de classes dentro do Brasil, e essa presença contribui para a fidelização dos clientes." Além disso, o banco está atento à pesquisas de necessidades desse público para desenvolver produtos e oferecer serviços.

 

No âmbito da "presença" nacional, o diretor destaca projetos que estão sendo tocados, como o de arranjos produtivos locais. Segundo ele, o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mapeou 957 locais com arranjos produtivos e atualmente o Bradesco está em 350 municípios onde existem esses projetos. "Estamos desenvolvendo essa cadeia e nesse ano foram R$ 600 milhões só nessas áreas."

 

De todos as modalidades de crédito, a que mais deverá apresentar expansão dentro do banco, em termos porcentuais, é a imobiliária. Pelegrino estima um avanço ao redor de 30% para o segmento. Para tanto, o Bradesco já promoveu algumas ações, como reduzir o número de documentos exigidos para tornar mais rápida a concessão do empréstimo, dilatação do prazo para até 30 anos e taxas diferenciadas do decorrer do contrato. Hoje, para um crédito imobiliário da ordem de R$ 150 mil, com prazo de até 30 anos, é necessária a apresentação de 12 documentos. A taxa para esse tipo de financiamento é de 7,80% mais TR para as 36 primeiras parcelas e de 9,5% mais TR até o final do prazo. O financiamento já pode ser aprovado em 15 dias.

 

A carteira de crédito total do Bradesco (incluindo avais e fianças) era de R$ 215,536 bilhões ao final de setembro, valor 10,2% superior ao registrado em igual mês do ano passado. As projeções para 2009 estão mantidas. A expectativa é que a carteira de crédito tenha uma expansão entre 8% e 12% na comparação com 2008. 

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