Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bradesco separa R$ 20 bi para destinar a microempreendedores

Instituição tem meta de dobrar o tamanho de sua carteira no segmento, que hoje concentra 1,5 milhão de clientes

O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2018 | 05h00

O Bradesco traçou uma meta agressiva para crescer junto aos microempreendedores individuais, os chamados MEIs. A expectativa do banco é dobrar a carteira, que hoje conta com 1,5 milhão de clientes com este perfil, a partir de uma oferta que vai além de soluções financeiras e de crédito e inclui ferramentas de apoio a este público. Em linhas de empréstimos pré-aprovados, são R$ 20 bilhões à disposição deste segmento.

No Brasil, existem em torno de 7,3 milhões de MEIs, segundo o Sebrae. Neste primeiro semestre, o número de empresas criadas no Brasil foi o maior desde 2010, conforme a Serasa Experian. Do total de mais de 1 milhão de negócios lançados, mais de 80% eram MEIs. Mantido o ritmo atual de alta, a expectativa do Sebrae é de que os microempreendedores somem 11,8 milhões em 2022.

De acordo com o vice-presidente do Bradesco, Eurico Fabri, o banco mapeou outros 1,5 milhão de pequenos empreendedores que podem ajudar a dobrar a carteira de clientes do banco. Boa parte deles, segundo o executivo, não é bancarizada. Estudo do Banco Central aponta que 19% dos MEIs no Brasil não têm conta corrente.

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Para atrair esses empreendedores, um dos poucos segmentos que continuou crescendo mesmo durante a crise, o Bradesco integrou suas áreas de produto, serviços e do varejo. Como resultado, montou um combo financeiro que inclui conta corrente sob medida, maquininhas, seguros, cartão, microcrédito, antecipação de recebíveis e serviços.

Ferramenta. Numa outra frente, desenvolveu soluções não financeiras e um site customizado para os MEIs. O primeiro passo para ser um microempreendedor é ter um CNPJ. Os futuros clientes do Bradesco poderão fazer esse cadastro no próprio site do banco. Outras facilidades incluem ferramentas de gestão financeira, vendas e até recolhimento de impostos. Tudo isso pode ser feito por canais digitais. 

“As pessoas começam como MEIs e crescem. Há uma complexidade porque existe um índice de mortalidade grande neste público. Por isso, temos de crescer junto com essas empresas no tempo”, disse Fabri ao Estadão/Broadcast

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Sem o apoio do banco, diz o executivo, a chance dos MEIs evoluírem no tempo diminui. O Bradesco tem apetite para emprestar, mas o que dificulta é o fato de que boa parte desse público não ter educação financeira e, consequentemente, misturar os orçamentos do negócio com o da pessoa física.

Dos R$ 20 bilhões que o banco separou para o segmento, R$ 9,6 bilhões estão disponíveis para correntistas. Deste total, foram liberados R$ 2,4 bilhões. Outros R$ 11 bilhões estão à disposição de novos clientes. O Bradesco também iniciou neste mês a ambientação de 263 agências em todo o País que passarão a ter locais sob medida para atender os MEIs. 

Empreendedor. Os microempreendedores entraram no radar dos bancos há algum tempo, segundo o gerente de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae, Alexandre Comin. “Os bancos perceberam que os MEIs não são uma moda passageira. Vieram para ficar e são uma figura poderosa.” Nesse contexto, Bradesco e Sebrae assinaram nesta semana convênio para apoiar pequenas e médias empresas. Comin disse que a meta é atender 20 mil micro e pequenos negócios em 4 anos. Desses, 5 mil serão MEIs.

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