Bradesco tem lucro trimestral recorde

De julho a setembro, banco lucrou R$ 2,527 bilhões, com alta de 39% em relação ao mesmo período de 2009; no ano, ganho é de R$ 7,035 bilhões

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2010 | 00h00

O Bradesco abriu ontem a temporada de balanços trimestrais dos grandes bancos de varejo do País. A instituição lucrou R$ 7,035 bilhões entre janeiro e setembro e R$ 2,527 bilhões no terceiro trimestre, o que significou, respectivamente, alta de 20,6% e 39% em relação a iguais períodos do ano passado. Considerando apenas o intervalo entre julho e setembro, o ganho foi recorde, superando os R$ 2,428 bilhões do Itaú em 2007.

Apesar dos números considerados positivos pela maioria dos analistas do setor, os investidores não gostaram. As ações do banco figuraram entre as maiores perdas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem, com queda de 4,47%. A principal justificativa para a reação foi o aumento das despesas. Houve também quem falasse em um movimento de realização de lucros, depois de os papéis se valorizarem fortemente no ano.

Entre janeiro e setembro, as despesas totais do Bradesco alcançaram R$ 15 bilhões, aumento de 19,1% ante igual período do ano passado. O vice-presidente executivo do banco, Domingos Abreu, admitiu que os gastos vão superar a meta estabelecida no planejamento para 2010, que ia de 9% a 13% de expansão ante o exercício 2009. Ele não foi preciso em quanto. "Vai fechar o ano um pouco superior ao topo da meta", afirmou.

Em relatório, o analista Daniel Malheiros, da Corretora Spinelli, lembrou que as ações do Bradesco são as que apresentam a maior valorização do setor bancário na Bolsa neste ano. Ele afirmou que a medida de preço/lucro (conhecida como PL) está no seu nível mais alto historicamente. "Os números apresentados podem ser um "trigger" (gatilho) para uma realização (de lucros) no curto prazo", escreveu.

O analista de setor bancário da Planner Corretora, Victor de Figueiredo Martins, disse acreditar na hipótese de realização de lucros. "Os resultados vieram conforme esperávamos."

"A questão é que, na terça-feira, as ações bateram o nível mais alto em mais de um ano. O mercado deve ter aproveitado para realizar lucro."

O analista de bancos da Fator Corretora, Fernando Salazar, considerou o resultado "muito bom, com expansão consistente das carteiras de crédito e melhora na qualidade dos ativos".

Crédito. O Bradesco também informou que não conseguirá cumprir a meta estabelecida no início do ano para abertura de agências. Apenas 175 dos 250 novos pontos previstos deverão ser inaugurados até dezembro.

"O restante ficará para o primeiro ou segundo trimestre do ano que vem", disse Domingos Abreu. Segundo ele, até o fim do terceiro trimestre, foram abertas 44 novas agências.

A meta para expansão de crédito, entre 21% e 25%, deverá ser cumprida. No fim de setembro, a carteira total de empréstimos somava R$ 255,6 bilhões, uma alta de 4,4% no trimestre e de 18,6% em 12 meses. Na pessoa jurídica, as pequenas e médias empresas foram destaque, com alta trimestral de 6,7%. Nas pessoas físicas, o crescimento foi de 3,6% na base trimestral e 23% na anual.

A inadimplência manteve a trajetória de queda, mas, segundo Abreu, a tendência é de estabilidade. O índice geral (para atrasos acima de 90 dias) ficou em 3,8% (ante 4% no segundo trimestre). Nas pessoas físicas, foi de 5,9% (ante 6,3% no trimestre anterior) e, nas micro, pequenas e médias empresas, caiu de 3,8% para 3,7%.

Apesar da melhora, os indicadores não voltaram para os níveis pré-crise. Segundo Abreu, não deverão voltar. "É uma questão de mix de carteira", explicou. Em outras palavras, o banco expande mais os negócios em segmentos com inadimplência alta.

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