carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Bradesco vê 60% de chances de a taxa Selic ficar estável em 2011

Na avaliação de diretor do banco, está se forjando um consenso no País de que juros sozinhos não[br]garantem a estabilidade

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

O diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octávio de Barros, trabalha com 60% de chances de a taxa básica de juros (Selic) permanecer estável em 2011. A avaliação do economista leva em conta o diagnóstico da ata da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), que sugere a possibilidade de elevação da taxa, como complemento às medidas divulgadas recentemente pelo Banco Central (BC).

"Em nossa leitura prevalece a expectativa de que os juros fiquem estáveis em 2011 (60% de probabilidade) ou que haja uma pequena elevação a partir de março (125 pontos base), cenário ao qual atribuímos 40% de probabilidade. Em outras palavras, se o BC optar por iniciar um ciclo de aumento de juros, esse processo se iniciaria em março e não em janeiro", afirma Barros.

Na leitura que fez da ata, o diretor do Bradesco diz ter detectado preocupações do Copom com a inflação corrente e com os efeitos secundários associados ao choque de alimentos observado recentemente. "Complementarmente, o Copom avaliou também que o cenário global é menos desinflacionário do que se antecipava e que a economia brasileira segue em um ambiente de descompasso entre a oferta e a demanda, contribuindo, portanto, para que os riscos à concretização de um cenário de convergência da inflação brasileira às metas tenha se elevado."

Para ele, apesar dessa deterioração no balanço de riscos, o BC espera que sejam tomadas ações de política fiscal e parafiscal e avaliou que as medidas macroprudenciais tomadas recentemente devem cumprir papel equivalente a um aperto da política monetária. "Em resumo, me parece uma ata coerente com um BC que, temporariamente, concede o benefício da dúvida ao ajuste fiscal a ser apresentado pelo novo governo e à maturação dos efeitos das medidas complementares na área de crédito", afirma. "Se julgarem pertinente aumentar juros, o fariam a partir de março, muito possivelmente, com a cumplicidade e apoio retórico do Ministério da Fazenda."

Barros não vê clima para tensões entre Fazenda e BC. "No governo Dilma, o Executivo estará engajado no tema estabilidade, ajudando mais concretamente o BC. Está se forjando um consenso no País de que juros sozinhos não resolvem o problema."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.