Bradesco Vida avalia que eleição impede reforma da previdência

Antonio Lopes Cristovão, presidente da Bradesco Vida e Previdência, diz que o Banco Mundial registra reforma da previdência atualmente em 30 países. Segundo o executivo, "não há clima político para aprovação da reforma da previdência no Brasil este ano". Cristovão participou de palestra no hotel Intercontinental para associados do IBEF-SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). Ele estima que o déficit (saldo negativo) da previdência alcance R$ 16 bilhões no caso do INSS e R$ 34 bilhões nas aposentadorias do setor público. Esse déficit da previdência de 5% do Produto Interno Bruto tem contribuído para o rebaixamento das notas atribuídas ao Brasil pelas agências internacionais de risco, diz. "A dívida da previdência social se trazida para o valor presente alcançaria toda a produção brasileira (PIB) de um ano", argumenta Cristovão. A O executivo argumenta também que o México e o Chile já "fizeram o dever de casa" e estão com "rating" (notas de classificação de risco) melhores do que o Brasil. Cristovão observa que o déficit da previdência teve causas estruturais. No modelo de repartição, quem está trabalhando paga a aposentadoria do inativo. Ocorre que na década de 40 existiam 15 trabalhadores pagando o INSS e financiando a aposentadoria de um inativo. Atualmente, há menos de dois trabalhadores (1,6) na ativa para financiar a aposentadoria de um inativo. Previdência privadaOs planos de previdência no Brasil estão tendo crescimento médio de 30% ao ano desde o início do Plano Real (em 1994) devido à estabilidade econômica e queda nas taxas de inflação, segundo Marco Antonio Rossi, diretor-gerente da Bradesco Vida e Previdência. O total das reservas da previdência no Brasil chegou ao final do ano passado a R$ 177,9 bilhões, sendo R$ 154,5 bilhões na carteira de investimentos dos fundos de pensão fechados e R$ 23,4 bilhões nas entidades abertas. Segundo Rossi, a previdência tem expressivo potencial de crescimento no país, observando que as reservas representam 118% do Produto Interno Bruto na Holanda; 80% na Inglaterra; 72% no Japão; 70% nos Estados Unidos; 48% no Chile e 13% do PIB no Brasil. As receitas dos planos no ano passado atingiram R$ 7,4 bilhões, sendo que o Bradesco participa com 53,39% desse mercado. Rossi estima que as receitas no mercado de planos abertos de previdência devem atingir R$ 10 bilhões ao final de 2002 e R$ 28 bilhões em 2005.

Agencia Estado,

07 de maio de 2002 | 15h31

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