Brascan fecha a compra da rede Plaza por US$ 1,1 bilhão

Paulo Malzoni Filho será o presidente da empresa de shoppings do grupo canadense

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

O Grupo Malzoni assinou ontem à noite o acordo com o grupo Brascan para a venda da rede Plaza, dona dos shoppings Paulista, West Plaza, Pátio Higienópolis e com participação no Vila Olímpia - todos em São Paulo - e no Botafogo, no Rio. As negociações começaram este ano e, segundo fontes de mercado, o negócio foi fechado por cerca de US$ 1,1 bilhão."Até onde sabemos, é o maior negócio imobiliário já feito no Brasil", diz Paulo Malzoni Filho, que assume a presidência do grupo Pátio Brascan, criado com a união da Rede Plaza e dos oito shoppings pertencentes à canadense Brascan.A empresa adquirida pela Brascan, a Plaza Trust, era responsável pela administração dos ativos prontos dos shoppings da rede Plaza. Já a Plaza Shopping, empreendedora responsável pela construção e expansão dos shoppings da rede, continua com os Malzoni, sob a presidência de Paulo Malzoni (pai). Ou seja, a família continua acompanhando de perto a reforma dos shoppings da rede e a construção do Vila Olímpia.Com a aquisição, o grupo Brascan torna-se o maior no eixo Rio-São Paulo. "Mas nosso objetivo é ser o maior em qualidade, não em quantidade", diz Malzoni Filho. Segundo ele, pelo fato de o acordo ter sido assinado ontem, ainda não havia uma previsão de investimentos nos shoppings, mas todos os anúncios feitos anteriormente seriam mantidos. Em maio do ano passado, o grupo anunciou um investimento de R$ 285 milhões para reformar seus quatro shoppings e iniciar a construção do quinto. Este ano, aumentou a verba da reforma do West Plaza, de R$ 32 milhões para R$ 92 milhões. No domingo, foi inaugurada a nova ala do Shopping Paulista.Durante muito tempo, Paulo Malzoni afirmou que a posição da Rede Plaza era de "caçador, não de caça". A rede chegou a participar de processos de aquisição no começo do ano, mas não consolidou nenhum. "Nosso projeto inicial era abrir capital", explica Malzoni Filho. Segundo ele, alguns grupos internacionais fizeram propostas para adquirir a Rede Plaza nesse período, porém somente com a Brascan as conversas foram levadas adiante. Antes da aquisição, a Rede Plaza havia feito uma oferta pela aquisição do grupo São Marcos, que controla, entre outros, os shoppings Interlagos, em São Paulo, e Downtown, no Rio. A oferta continua de pé, e caso seja aceita, o grupo também passará a pertencer à Brascan.ONDANos últimos dois anos, o setor de shoppings recebeu uma onda de investimentos. Capitalizados com a venda de ações na Bolsa de Valores ou com investimentos de grupos estrangeiros, as maiores empresas começaram uma corrida para comprar os rivais e crescer rapidamente - apostando que as empresas estão baratas e que haverá uma explosão de consumo no País."Essa aquisição parece uma forte reação da Brascan a um movimento agressivo realizado principalmente pela BR Malls", diz o diretor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. A BR Malls já possui 30 shopping em seu portfólio e é líder no País. "Estamos em um período em que quem tiver pouca escala vai perder competitividade", diz o consultor. "A tendência é que haja uma redução no número de grupos, porém com portfólios cada vez maiores."A Rede Plaza é considerada estratégica por analistas por possuir uma vantagem geográfica em São Paulo. Dois dos empreendimentos - o shopping Paulista e o Pátio Higienópolis - estão em locais onde não há terrenos para a construção de concorrentes nas proximidades.

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