Brasil abre quase 124 mil empregos formais e tem pior setembro em 13 anos

O Brasil abriu 123.785 vagas formais de trabalho no mês passado, pior resultado para setembro em 13 anos e aquém do esperado, em meio ao cenário de atividade econômica fraca.

REUTERS

15 de outubro de 2014 | 15h47

No acumulado do ano até setembro, a geração de emprego com carteira assinada somou 730.124, quase 30 por cento a menos do que a abertura de 1,038 milhão de vagas em igual período de 2013, em dados não ajustados, mostrou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quarta-feira.

Pesquisa da Reuters feita com analistas mostrou que a mediana das expectativas era de abertura de 140 mil empregos em setembro.

Em agosto, haviam sido criados 101.425 postos com carteira assinada, sem ajustes. O resultado do mês passado foi o pior para setembro desde 2001, quando as contratações somaram 80.028.

"Alguns setores que não vão bem. Não podemos viver no mundo diferente do restante do mundo", afirmou o ministro do Trabalho, Manoel Dias, mantendo a previsão de abertura líquida de 1 milhão de vagas neste ano.

Na comparação anual, todos os setores de atividade monitorados pelo ministério mostraram diminuição na contratação líquida de trabalhadores. A construção civil empregou 8.437 operários em setembro, ante 29.779 em igual período do ano passado, sem ajustes, enquanto o setor serviços admitiu 62.378 pessoas no mês passado, frente a 70.597 em setembro de 2013.

Apesar de também mostrar queda nas contratações na comparação anual, a indústria de transformação interrompeu em setembro uma sequência de cinco meses registrando demissões líquidas. No mês passado, abriu 24.837 vagas formais, ante 63.276 admissões sobre um ano antes.

Ainda segundo o Caged, o setor da agricultura continuou registrando demissões líquidas em setembro, de 8.876 trabalhadores, contra 10.169 dispensas em igual mês do ano passado.

Âncora do governo e uma das plataformas políticas da presidente Dilma Rousseff (PT) em sua campanha pela reeleição, o mercado de trabalho vem mostrando perda de fôlego, apesar de continuar mostrando baixos níveis de desemprego. Segundo o IBGE, em agosto a taxa de desemprego atingiu 5 por cento.

Economistas de instituições financeiras consultados em pesquisa Focus do Banco Central continuam vendo a economia brasileira debilitada, projetando expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,28 por cento neste ano.

(Por Luciana Otoni)

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