AP Photo/Susan Walsh
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Brasil aceitará dinheiro chinês, diz ministro Paulo Guedes nos EUA

Ministro ‘convidou’ americanos a investirem em infraestrutura no País, mas disse que governo continuará aberto a recursos da China

Beatriz Bulla, correspondente, e Ricardo Leopoldo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 22h08

WASHINGTON -  Nos Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma provocação aos americanos sobre a relação do Brasil com a China. Ao dizer que o País está aberto a investimentos, Guedes foi claro ao sinalizar que o País continuará a fazer negócio com os chineses. “Nós vemos vocês fazendo negócios com chineses há anos. Por que nós não podemos? Por que não podemos deixar eles investirem em infraestrutura?”, questionou o ministro da Economia.

De forma bem humorada, ele mostrou que o País está aberto a quem quiser investir em infraestrutura. “Temos um presidente que adora a América. Eu também. Adoro Coca-Cola e Disneylândia. É uma grande oportunidade para investir no Brasil. Eu os convido para essa nova parceria”, disse.

“Os chineses querem dançar conosco e querem investir lá. Disse ao presidente: amamos os EUA, mas vamos fazer comércio com quem for mais lucrativo”, ressaltou. Guedes citou como exemplo que o País está aberto para negócios no pré-sal.

Os Estados Unidos contam com o Brasil para diminuir a influência da China na América Latina. Guedes foi direto, em discurso a empresários na Câmara de Comércio Americana, ao dizer que o País precisa conseguir investimentos em infraestrutura para reduzir o custo Brasil, os tributos e abrir a economia.

Nesta terça-fira, 19, os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro vão se encontrar na Casa Branca. No comunicado que farão à imprensa após a reunião, devem afirmar que os dois países querem caminhar para um livre-comércio. No médio prazo, no entanto, isso significa trabalhar por acordos de convergência regulatória e facilitação de comércio e investimentos. Algumas questões práticas da pauta agropecuária não devem ser resolvidas, como a reabertura do mercado americano para compra de carne in natura brasileira. Na outra ponta, EUA pressionam pela abertura do mercado brasileiro para importação de carne de porco dos americanos.

“Se os EUA querem vender carne de porco para nós, então comprem nossa carne (bovina). Querem vender etanol? Ok, comprem nosso açúcar”, apontou o ministro. “Querem vender trigo, então comprem nossas autopeças”, destacou. “O mais  importante é que sejamos parceiros comerciais estratégicos para o futuro.” 

O ministro teve uma reunião com o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, na qual ressaltou a importância de as grandes corporações dos dois países ampliarem o diálogo para aumentarem  a realização de negócios. “Vamos pegar as 50 maiores empresas dos EUA e do Brasil para conversarem”, apontou.”

Ao mesmo tempo, o ministro da Economia fez um apelo para que os Estados Unidos ajudem o Brasil na candidatura do País à Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico e Social (OCDE). A entrada na organização, considerada um clube dos países ricos, é vista por Guedes como um selo de confiança internacional. “Por favor, nos ajudem a entrar na OCDE”, disse. “Os EUA são o único obstáculo para que entremos e é compreensível, porque estávamos na esquerda a maior parte do tempo, mas agora estamos na direita”, afirmou o ministro. Os Estados Unidos planejam dizer que apoiam o trabalho e reformas estruturais do Brasil que o cacifam para a candidatura, sem se comprometer com uma data para endossar politicamente a adesão do País ao organismo.

Em defesa do governo Bolsonaro

Aos empresários, Guedes também saiu em defesa do governo Bolsonaro e disse que o País é uma democracia muito estável. Ao falar da composição do governo, ele disse que a aliança entre conservadores e liberais é a “música” do Brasil no momento. Sobre a reforma da Previdência, Guedes insistiu que “nenhum brasileiro será deixado para trás”, mas disse que a seguridade social não será uma “fábrica de privilégios”.

“Em dois meses de governo, dez dias ele (Bolsonaro) estava no hospital e durante 30 dias o Congresso não estava lá. Em 60 dias o presidente enviou ao Congresso duas reformas muito importantes”, disse, citando o pacote anticrime, de Sérgio Moro, como a segunda reforma importante.

Guedes ressaltou que o excesso de gastos públicos levou o Brasil a um patamar de gastos com juros muito elevado, de US$ 100 bilhões ao ano, o equivalente ao Plano Marshall de reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial, a valor presente. “Ninguém tinha colhões para fazer o controle do gasto público. Agora temos alguém que tem colhões”, afirmou. Ele prometeu descentralização política e privatizações, além de redução e simplificação de tributos.

Mais cedo, Guedes disse a jornalistas que o governo vai correr para que a proposta de reforma da Previdência dos militares entre no Congresso na quarta-feira, 20. "Todo mundo entrou na reforma da Previdência e militares têm de entrar também", disse ele a jornalistas. Ele ressaltou que se economia com a reforma for menor de R$ 1 trilhão, o "compromisso com futuras gerações será relativo". Sobre os militares, o ministro disse que o texto vai ser avaliado pelo presidente Jair Bolsonaro, que em seguida vai mandar as medidas para o Congresso.






- Nos Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma provocação aos americanos sobre a relação do Brasil com a China. Ao dizer que o País está aberto a investimentos, Guedes foi claro a sinalizar que o Brasil continuará a fazer negócio com os chineses. “Nós vemos vocês comerciando com chineses há anos. Por que nós não podemos? Por que não podemos deixar eles investirem em infraestrutura?”, questionou o ministro da Economia.

De forma bem humorada, ele mostrou que o País está aberto a quem quiser investir em infraestrutura. “Temos um presidente que adora Coca-Cola e Disneylândia. É uma grande oportunidade para investir no Brasil. Eu os convido para essa nova parceria”, disse. “Vocês podem ajudar a financiar nossas rodovias, ir atrás de concessões de petróleo e gás.”


Os Estados Unidos contam com o Brasil para diminuir a influência da China na América Latina. Guedes foi direto, em discurso a empresários na Câmara de Comércio americana, ao dizer que o País precisa de investimentos em infraestrutura para reduzir o “custo Brasil” e abrir a economia.

O ministro destacou a fusão entre Boeing e Embraer como um exemplo de algo “maravilhoso” na relação entre os dois países. Guedes também defendeu o governo Bolsonaro, disse que o País é uma democracia muito estável e disse que o presidente tem “colhões” para controlar o gasto público. “Ninguém tinha colhões para fazer o controle do gasto público. Agora temos alguém que tem colhões.”

Guedes prometeu descentralização e privatizações, além de redução e simplificação de tributos. Ao falar da composição do governo, disse que a aliança entre conservadores e liberais é a “música” atual do Brasil.

Primeira liga

Ao listar todas as mudanças em cursos no País , o ministro da Economia fez um apelo para que os Estados Unidos ajudem o Brasil na candidatura do País à OCDE. A entrada na organização, considerada um clube dos países ricos, é vista por Guedes como um selo de confiança internacional. “Por favor, nos ajudem a entrar na OCDE”, disse. “Os EUA são o único obstáculo para que entremos e é compreensível, porque estávamos na esquerda a maior parte do tempo, mas agora estamos na direita.”

Previdência

Em relação à reforma da Previdência, Guedes insistiu que “nenhum brasileiro será deixado para trás” mas disse que a seguridade social não será uma “fábrica de privilégios”.

Mais cedo, Guedes havia dito a jornalistas que o governo vai correr para ver se a proposta de reforma da previdência dos militares entra no Congresso amanhã. “Todo mundo entrou na reforma da previdência e militares têm que entrar também.”

O ministro da Economia ressaltou que, se economia com a reforma for menor de R$ 1 trilhão, o “compromisso com futuras gerações será relativo”. Sobre os militares, o ministro disse que o texto vai ser avaliado pelo presidente Jair Bolsonaro, que em seguida vai mandar as medidas para o Congresso.

Guedes afirmou que o novo regime de Previdência vai aumentar o salário médio do trabalhador no Brasil. “A nova Previdência vai dar uma choque de empregabilidade", afirmou o ministro. “A nova Previdência vai democratizar a poupança e reduzir encargos.”

O ministro de Bolsonaro disse ainda que na proposta de reforma da Previdência, o governo vai criar um novo regime de capitalização. “Há um custo de transição”, frisou.

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