Brasil acelera sua recuperação econômica, diz OCDE

A recuperação econômica no Brasil está se acelerando. A afirmação foi feita nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), durante seu Conselho anual de ministros de Finanças, em Paris, na França. O encontro tem o intuito de examinar a situação a curto prazo nos 30 países membros.A informação foi dada com base na revisão para cima das previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 3,8% este ano e 4% em 2007.Há seis meses, a entidade tinha projetado um crescimento de 3,7% em 2006 e 3,9% em 2007. Em nota, a OCDE disse considerar "boas" as perspectivas de uma recuperação "ampla" no Brasil este ano, depois do "decepcionante" crescimento de 2,3% no ano passado. A reativação está em andamento, apoiada num consumo "robusto", "fortes" exportações líquidas e uma recuperação do investimento privado.É provável, na opinião dos analistas, que a expansão do crédito ao consumo se beneficie de uma queda nos juros, embora o aumento da dívida das famílias possa conter um maior crescimento do crédito.A redução da inflação continua e o índice de preços ao consumidor foi projetado em 4,5% este ano e em 2007, depois dos 5,7% de 2005.Apesar da progressiva queda das taxas de juros, as condições monetárias ainda são restritivas, diz a OCDE. E afirma que, mesmo que se cumpra o objetivo de superávit primário consolidado, deve haver uma expansão orçamentária este ano.Desafio O Brasil deverá enfrentar o desafio de deter o aumento dos compromissos de despesas, alerta a OCDE, que pediu mais reformas para romper o ciclo de "gastar e taxar", afim de conseguir uma redução mais rápida do endividamento público e das taxas de juros, e, finalmente, da carga tributária.Em relação à dívida, o relatório observa que o Banco Central acumula reservas internacionais e resgata os débitos externos com a compra de bônus Brady (títulos da dívida externa brasileira lastreados em papéis do Tesouro dos Estados Unidos) e reembolsos adiantados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Clube de Paris. Encontro O economista-chefe da organização, Jean-Philippe Cotis, afirmou que este ano o encontro da OCDE o terá como temas centrais a forma de equilibrar a globalização e as tentativas para canalizar as negociações da rodada de Doha sobre a liberalização do comércio mundial.O atual secretário-geral da OCDE, o canadense Donald Johnston, passará o cargo a seu sucessor, o mexicano José Ángel Gurría. A chegada de Gurría ao posto máximo do "Clube dos países desenvolvidos" dá à reunião deste ano um significado particular para o México. Crescimento mundialE não foi somente o crescimento do Brasil que foi revisado pela OCDE. A organização afirmou ainda que os PIBs dos Estados Unidos, Zona do Euro e, principalmente, Japão, avançarão mais do que o previsto anteriormente. Já no referente a 2007, a organização manteve quase sem mudanças suas previsões.A revisão de 2006 está ligada à constatação da resistência demonstrada pelas economias dos países desenvolvidos ao impacto do encarecimento do petróleo, que não se traduziu em grandes pressões inflacionárias que tenham afetado a demanda, explicou a OCDE.Os 30 países da organização crescerão em conjunto a um ritmo de 3,1% este ano, depois dos 2,8% de 2005. No próximo ano, a expansão deve se moderar e ficar em 2,9%.Regiões Esses números disfarçam as diferenças entre as principais regiões, pois a zona do euro, apesar do aumento de um décimo na previsão de 2006, para 2,2%, deve continuar significativamente abaixo dos Estados Unidos, cuja previsão de alta também subiu um décimo em relação a seis meses atrás, para 3,6%.Mas a principal novidade do relatório é a melhora substancial dos números do Japão, cujo PIB deve subir este ano 2,8%, segundo o documento. Em novembro, a previsão era de 2%.Para 2007, a OCDE corrigiu levemente para baixo suas previsões de crescimento do PIB na zona do euro (em um décimo, para 2,1%) e nos Estados Unidos (em dois décimos, para 3,1%), ao passo que aumentou a do Japão (em dois décimos, para 2,2%).Este cenário é baseado na hipótese de o barril de petróleo se estabilizar em torno dos US$ 70. Nesse contexto, a inflação deve chegar a um topo de 3% antes de cair para 2,3% em 2007 nos Estados Unidos, e se manter em 1,6% este ano, subindo para 2% no próximo na eurozona.Alerta A OCDE alerta, no entanto, que existem uma série de riscos, e cita particularmente os desequilíbrios nas balanças de conta corrente e a pressão dos altos preços dos imóveis. Acerca do primeiro aspecto, a organização indica que os desequilíbrios tendem a aumentar. Mais relevantes em termos absolutos, o balanço positivo das contas correntes chinesa e japonesa deve chegar em 2007 a 5,5% e 6% do PIB, respectivamente. Já nos EUA, o rombo deve superar os 7,5%. Cotis afirmou que "esses desequilíbrios são insustentáveis no longo prazo" e que o risco é uma violenta correção que sacudiria a economia mundial.A OCDE considera que não há por enquanto na zona do euro "sinais indubitáveis" de que a situação econômica exija uma alta dos juros, mas esta pode ser necessária se a pressão inflacionária proveniente das matérias-primas continuar afetando a economia.A posição da OCDE é diferente no caso dos Estados Unidos, que estão perto do pleno emprego e onde os riscos de inflação "importada" são maiores. Neste caso, a organização afirma que pode ser conveniente um endurecimento da política monetária.

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