Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Brasil adota ajustes necessários para lidar com cenário econômico, diz Banco Mundial

Para o economista-chefe para América Latina e Caribe do órgão, Augusto de la Torre, País 'está fazendo o que tem de fazer', ao readequar gastos às novas condições econômicas, para que o investimento tenha papel mais importante do que o consumo

Daniela Milanese, Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 16h37

O Brasil vem adotando os ajustes necessários para lidar com o novo quadro econômico, avalia o Banco Mundial. "O Brasil está fazendo o que tem de fazer", afirmou nesta quarta-feira o economista-chefe para América Latina e Caribe do órgão, Augusto de la Torre.

Segundo ele, o País adota a estratégia de readequar seus padrões macroeconômicos de gastos às novas condições, fazendo um esforço grande e necessário para que o investimento tenha papel mais importante do que o consumo. "Não é fácil, porque para isso é preciso atrair os investidores internais e locais."

Torre avalia que o Brasil é um caso emblemático na América Latina, pois passou por uma forte onda de crescimento puxada por consumo, e não pelos investimentos - como ocorreu como Chile, Colômbia Peru, por exemplo. "O País esgotou o motor de crescimento antes dos outros."

O Banco Mundial prevê que o PIB nacional terá contração de 0,7% neste ano, após ficar praticamente estável em 2014. O Brasil aparece na lista das nações latino-americanas que passam por choque mais negativo neste momento. A flexibilidade cambial, entretanto, pode ajudar a mitigar efeito de contração do ajuste fiscal.


Torre disse esperar que o País trate dos atuais problemas de escândalos de forma crível. "Se fizer isso bem, deixará a sensação de que é um País maduro, com instituições sérias, que sabe como administrar problemas de ilegalidade ou escândalos", afirmou. "Ao invés de ser um fator contra, pode ser a favor."

Falando de forma geral sobre a corrupção na América Latina, o economista-chefe afirmou que outros países que cresceram muito também se depararam com esse problema, inclusive os Estados Unidos. "É limitante, mas não é uma barreira intransponível para crescer. E não significa que não deve ser combatido."

América Latina. As mudanças que a América Latina está passando são permanentes, fruto do fim do ciclo de crescimento da China e do boom das commodities, avalia Augusto de la Torre. Segundo ele, esses fatores trouxeram desaceleração aguda e inesperada.

Os exportadores de matérias-primas empurram o desempenho da região para baixo, avalia Torre. O choque foi ampliado pela reversão das condições externas.

"Sem reformas, o novo ritmo mais baixo de crescimento da AL será permanente", disse há pouco, durante coletiva que acontece neste momento durante a reunião de Primavera do FMI. "A região tem pouco espaço de manobra fiscal e monetária."

Ele acredita que a região foi pega numa ausência de "divina coincidência", porque é preciso usar a política monetária para controlar a inflação, enquanto a necessidade de ajuste fiscal afeta o crescimento econômico. "Os objetivos não coincidem", afirmou.

Torre avalia que a América Latina precisa criar espaço de manobra no atual cenário. Para isso, cita como uma das possibilidades a ampliação das bandas de inflação, de forma a permitir a absorção dos choques de oferta. Na lado fiscal, a sugestão é o reforço dos fundos de estabilização para amortização dos efeitos dos ajustes.

Para ele, a saída para a região não é a tomada de novos empréstimos, mas sim o aumento da poupança na região. "Poupar pode ajudar muito. Quem poupa mais, exporta mais", afirmou.

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