Brasil ainda não chegou ao 'fundo do poço' na crise, diz OCDE

Nível de atividade econômica medido em abril está 12,8% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado

BBC Brasil, BBC

08 de junho de 2009 | 09h33

Dados divulgados nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já apontam "pontos de inflexão" que indicam uma melhora no cenário econômico de alguns países - mas não no Brasil. Em suas projeções para os próximos meses, enquanto a organização já vê o "fundo do poço" para a zona do euro, o Canadá e a China, por exemplo, as previsões para o Brasil ainda indicam "forte desaceleração". Entretanto, um porta-voz da OCDE explicou à BBC Brasil que a razão disto pode ser simplesmente estatística.

 

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É que o acompanhamento econômico, feito pelo chamado índice composto ou CLI, tenta antecipar em cerca de seis meses o comportamento das economias industrializadas. Mas o período é mais curto para Brasil, Índia, China e Rússia, que não fazem parte da organização.

Em todo caso, a organização evitou grandes demonstrações de otimismo e disse que "ainda é muito cedo" para avaliar se os pontos de inflexão observados são apenas "temporários ou mais duradouros".

 

Brasil

Segundo o relatório, o CLI do Brasil caiu 0,7% entre os meses de março e abril - um ritmo que equivale a uma "forte desaceleração" pelos critérios da OCDE. O nível de atividade econômica medido pelo índice em abril está 12,8% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

"O fato de ainda não vermos um fundo do poço para a crise no Brasil não significa que isto não aconteça até o fim do ano", disse Gyomai. Se isto ocorrer, ele explicou, o fenômeno só será detectado nos próximos meses.

Outro país que registrou queda no CLI foi a Rússia (-0,3% em abril, ou 21,3% abaixo do mesmo mês de 2008), que também vive uma "forte desaceleração" segundo a OCDE.

Na Índia, onde houve uma leve melhora em abril (+0,4%), o cenário ainda é desaceleração nos próximos meses.

Apenas na China, cujo CLI registrou alta de 0,9% em abril, a crise pode estar chegando ao seu ápice, disse a OCDE

Resultados

Entre março e abril, o CLI subiu nos principais países industrializados acompanhados. Entretanto, só em alguns a OCDE considerou que a crise pode ter chegado ao seu ápice, porque estes já vinham registrando altas no indicador.

Este foi o caso do Canadá (+0,4% entre março e abril), França (+1,2%), Itália (+2,1%) e Reino Unido (+0,7%). A crise também teria chegado ao seu ápice na zona do euro, no grupo das cinco maiores economias da Ásia (China, Índia, Indonésia, Japão e Coreia do Sul) e nos países do G7.

Porém, o economista da OCDE Gyorgy Gyomai ressaltou que o fundo do poço "não significa necessariamente uma recuperação".  "É a situação mais provável, mas ainda é muito cedo para afirmar", disse.

Já nos EUA, na Alemanha e no Japão, onde o CLI indicou alta em abril (+0,2%, +0,1% e +0,1 respectivamente), o cenário ainda é de "desaceleração" no horizonte de um semestre.

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