Brasil ainda não decidiu se lança candidato na OMC

Candidatura de Roberto Azevedo para o cargo de diretor-geral depende da movimentação de outros países

BRASÍLIA, GENEBRA, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h09

A 15 dias do prazo final para apresentação de candidatos ao cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), a corrida pelo cargo já começou, mas o Brasil ainda espera a movimentação de outros países para decidir se lança ou não uma candidatura. Roberto Azevedo, embaixador brasileiro na organização, é considerado um dos nomes mais fortes para o cargo, mas o Itamaraty e a presidente Dilma Rousseff avaliam se vale enfrentar o desgaste de uma eleição que promete ser bastante dura.

Ontem, Gana apresentou o ex-ministro e ex-embaixador nos Estados Unidos Alan John Kwadwo Kyerematen como primeiro candidato oficial ao cargo. Outros países, como Jordânia e Nova Zelândia, também já manifestaram intenção de apresentar nomes. A avaliação no Itamaraty, no entanto, é que ainda não há candidaturas fortes o suficiente para atingir um consenso.

No primeiro semestre deste ano, o Itamaraty apresentou à presidente a possibilidade de indicar Azevedo para a disputa - que, no caso da OMC, não é uma eleição, mas uma decisão tomada em negociações. Considerado um dos melhores negociadores na organização e também na diplomacia brasileira, o embaixador é bem quisto tanto entre os países ricos quanto entre os em desenvolvimento o que, em tese, facilitaria o consenso.

A dificuldade de se avaliar, até agora, se esse consenso poderia realmente ser alcançado é um dos motivos que seguram a decisão brasileira. Sua candidatura fortalece a política do País de tentar emplacar candidatos em postos-chave de organismos internacionais, mas o governo brasileiro não quer, para isso, alienar aliados na OMC.

Outra questão é se ter o diretor-geral do órgão poderia enfraquecer o poder de negociação do País, um dos que mais usa a OMC em negociações comerciais multilaterais. "Hoje se pode dizer que a decisão está 50% a 50%. Estamos observando as manifestações dos demais países. Se tiver um candidato que nos represente, podemos não apresentar", disse ao Estado um diplomata que acompanha o tema. / L.P. e J.C.

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