coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Brasil ainda tem espaço para carros velhos

Quarto maior mercado mundial em 2012, com 3,8 milhões de veículos vendidos, 18 fabricantes e mais de 20 marcas de importadores, o Brasil ainda tem espaço para carros que, no mercado internacional, já estariam aposentados há muito tempo.

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h10

A sobrevivência de modelos acima de 15 ou 20 anos em meio a uma lista com mais de 250 variedades, com preços que vão de R$ 21,8 mil (Ford Ka) a R$ 2,7 milhões (Ferrari FF), chega a ser uma excentricidade.

Para o sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), Ricardo Pazzianotto, o Brasil é um país caro para se produzir e as montadoras procuram amortizar ao máximo seus investimentos. Em relação ao México, fazer carros no País custa 40% mais. Na comparação com a China, a diferença chega a 60%, diz.

Um produto que já teve o custo de desenvolvimento e lançamento totalmente amortizado e tem boa procura é retorno garantido, mesmo que em alguns casos seja reduzido.

"Normalmente esses veículos vendem bem porque têm preços competitivos", afirma Pazzianotto. "O preço e a renda são os fatores que determinam a venda de veículos no Brasil e um carro barato, que serve para ir ao trabalho e voltar para casa, é o que importa para muitos consumidores."

Para as fabricantes, introduzir itens que vão encarecer o automóvel é um dilema, pois elas têm de convencer o consumidor de que a inovação é boa para ele e vale a pena pagar mais.

A concorrência cada vez mais acirrada, especialmente com a chegada de novas fabricantes como as chinesas Chery e JAC, a coreana Hyundai e a alemã BMW, contudo, obriga as empresas a conter seus preços.

No Brasil, o governo precisou tornar obrigatória a instalação de freios ABS e airbags. Na Europa e nos EUA, o consumidor raramente compraria um carro sem esses itens de segurança. O fim de alguns dinossauros que circulam apenas no Brasil veio, portanto, por força de lei./ C.S.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.