Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Brasil anuncia mandato para emissão de títulos no mercado internacional

É a primeira emissão externa do País este ano, que acontece após a melhora dos indicadores econômicos; apetite dos investidores por títulos emitidos por países emergentes está maior, sobretudo do Brasil

Adriana Fernandes e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 12h29

BRASÍLIA - Com a melhora de indicadores da economia brasileira, o governo voltou nesta terça-feira, 29, ao mercado internacional para fazer uma dupla captação de bônus da dívida externa brasileira. É a primeira emissão externa do Brasil em 2021.

Na oferta aos investidores, anunciada na manhã desta terça pelo Tesouro Nacional, o governo ofereceu papéis com prazo de vencimento de 10 anos (Global 2031) e de 30 anos (Global 2050). 

O apetite dos investidores por títulos emitidos por países emergentes está maior, sobretudo do Brasil.  Segundo apurou o Estadão, há uma demanda reprimida dos fundos gestores que compram títulos soberanos (emitidos pelos governos dos países) por papéis do Brasil.

A janela de oportunidade para a emissão se abriu também porque o mercado absorveu melhor os últimos movimentos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o BC americano não realizará uma alta "preventiva" de juros, esperando em vez disso que a inflação de fato suba para apenas então realizar essa elevação.

O Brasil tem baixa necessidade de financiamento externo e pode escolher a hora de ir ao mercado aproveitando as melhores condições. Os preços dos papéis vendidos servem de referência para captações das empresas brasileiras no mercado externo, que está no momento com forte liquidez de recursos e investidores procurando onde investir.

“O objetivo da operação é dar continuidade à estratégia de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, provendo referência para o setor corporativo, e antecipar financiamento de vencimentos em moeda estrangeira”, informou o Tesouro Nacional.

O dólar desacelerou a queda e registrou mínima de R$ 4,9316 no mercado à vista na manhã desta terça-feira, reagindo à reabertura do Global 2050 em nova emissão do Tesouro no exterior, segundo um operador de câmbio.

A operação será liderada pelos bancos Bradesco BBI, Goldman Sachs e HSBC. De acordo com o órgão, os títulos serão emitidos no mercado global e o resultado será divulgado no fim desta terça-feira.

A última vez que o Brasil vendeu papéis no mercado  foi no início de dezembro, quando foram vendidos US$ 2,5 bilhões de títulos da dívida externa de cinco, 10 e 30 anos. Em julho do ano passado, outra emissão captou ainda US$ 3,5 bilhões com a venda de títulos com vencimento de 5 anos e 10 anos.

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