Brasil apoia reforço de caixa do FMI mas não promete dinheiro

Em reunião com o FMI, Guido Mantega suavizou tom de exigiências e disse que Brics 'não estão preparados para falar em cifras'.

Pablo Uchoa, BBC

19 de abril de 2012 | 19h36

Ainda fazendo mistério sobre se os Brics - Brasil, Rússia, Índia e China - vão contribuir com o reforço do caixa do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira que "o Brasil desde o início vê a necessidade de um reforço do FMI".

Depois de se reunir com representantes do resto do grupo em Washington, o ministro suavizou, entretanto, o tom com o qual vinha relacionando qualquer aporte adicional ao FMI a maior poder na instituição.

Ele disse que o Brasil se contentará com uma "demonstração clara" de que as reformas vão acontecer dentro do prazo, em 2013, sem mencionar quaisquer condições durante esta bateria de reuniões na capital americana.

Mantega falou a jornalistas em paralelo às reuniões do FMI e do Banco Mundial em Washington e disse que os Brics não estavam preparados para falar em cifras. Ele não quis responder às perguntas sobre se o grupo estava agindo em consenso nessa questão ou não.

"Nós combinamos, os Brics, que não faríamos nenhuma comunicação (à imprensa), então eu estou impedido de falar sobre a nossa reunião", adiantou o ministro.

Mas ele reforçou que o Brasil "desde o início vê a necessidade de um reforço do FMI, mesmo porque a crise internacional não está resolvida, sobre certos aspectos até está mais profunda do que antes".

"Nesse sentido, nós acreditamos na necessidade de reforçar, porém, dentro de determinadas condições."

Aporte

Durante o encontro, que vai até domingo, o FMI quer levantar US$ 400 bilhões (R$ 747 bilhões) para reforçar seu poder de fogo contra a crise na zona do euro. Até agora o Fundo já anunciou ter conseguido US$ 320 bilhões, anunciados principalmente pelo Japão e por países europeus.

Não se sabe de quanto poderia ser o aporte dos Brics ao FMI. Em 2009, eles contribuíram para o caixa da entidade com US$ 80 bilhões (US$ 50 bilhões da China e US$ 10 bilhões de Índia, Brasil e Rússia).

Mantega havia dito que o Brasil só vai aportar mais dinheiro se a contribuição fosse acompanhada de mais poder de decisão na instituição. Nesta quinta-feira, o ministro deu detalhes da reivindicação.

"O importante é que haja uma demonstração clara e que isso seja colocado nas declarações conjuntas, nos comunicados, que se diga 'Estamos comprometidos a levar isso adiante'", afirmou.

O Fundo já começou no mês passado a debater as possíveis fórmulas para redistribuir o poder de voto. Uma decisão precisa ser feita em 2013 para ser implementada até o ano seguinte.

Hoje, segundo Mantega, o critério para distribuir as cotas de poder no FMI combina crescimento econômico com abertura comercial, o que para o ministro "não faz muito sentido".

"Nossa proposta é que se dê peso total ao PIB (Produto Interno Bruto), porque o PIB é o que mostra de fato o poder econômico dos países."

O ministro acrescentou que a proposta de reforma do FMI tem o apoio americano - o país que hoje tem o maior número de votos, e que continuará tendo se o PIB for o único fator tomado em conta - mas sofre oposição dos países europeus, que perderiam influência na nova formação.

"Alguns países não têm muito entusiasmo para fazer as reformas - têm mais entusiasmo para pedir dinheiro aos emergentes que levar adiante a reforma de cotas, porque esses países são os que vão perder posições."

O ministro afirmou que o Brasil não está preparado para falar em cifras até que outros países respondam à demanda de manter as mudanças dentro do cronograma.

O assunto voltará a ser tema de um jantar com outros países do G20 - os principais emergentes e desenvolvidos - ainda nesta quinta-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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