Brasil apresenta 3º maior crescimento nas exportações agrícolas

O Brasil foi o terceiro país de maior crescimento nas exportações de produtos agrícolas num prazo de dez anos, atrás apenas do Chile e do México, num grupo de países desenvolvidos e em desenvolvimento. O crescimento médio anual foi de 5,8% entre 1995 e 2004, conforme dados apresentados pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Se o País tivesse mais acordos comerciais com o mundo, teria liderado o ranking.Os dados indicam que no mesmo período as venda externas do agronegócio chileno avançaram 6,3% ao ano e o mexicano, 6%. Além do bloco regional com os Estados Unidos e Canadá, o México tem cerca de 40 acordos comerciais, enquanto o Chile participa de pelo menos de duas dezenas de acordos. O desempenho brasileiro foi basicamente favorecido pelo aumento da demanda mundial e por ganhos de produtividade consistentes no períodos, explica o Icone."O Brasil está ganhando em quantidade, num processo de ganhos de produtividade", explicou o gerente geral do Icone, André Nassar, concordando com o fato de que não fosse falta de acordos o País lideraria no crescimento das exportações nos últimos anos. "Estamos vendo eles (México e Chile) de binóculos em termos de acordos", comenta o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.O executivo da AEB explica que o Brasil ficou praticamente "voltado e preso ao Mercosul, que nos tirou a possibilidade de fazer acordos". "Além de os integrantes do bloco regional serem diferentes em termos de tamanho, ficamos presos e por muito tempo houve a expectativa da Alca, que não se concretizou. Quando ficou claro que não haveria a Alca, o Brasil tinha de buscar outras alternativas", argumenta Castro.Os dados do Icone também mostram que entre o início dos anos de 1990 e 2005 o peso dos países em desenvolvimento nas compras de produtos agrícolas brasileiros saltou de cerca de 20% para mais da metade (ao redor de 55%). Já o peso relativo dos países desenvolvidos na pauta brasileira de exportações foi de 75% para pouco menos da metade (ao redor de 45%). Nos últimos cinco anos, o aumento das exportações para países em desenvolvimento cresceu a uma velocidade média de 23% ao ano - mais do que o dobro da taxa para os desenvolvidos.Doha As negociações da Rodada de Doha, travadas desde julho, serviriam para ampliar a abertura de outros mercados para a agricultura. No próximo dia 9, os países que compõem o G-20 irão se reunir no Rio e um dos temas deverá ser a divergência de conceito entre o Brasil e a Índia. De forma geral, países como Brasil e Argentina são mais agressivos na tentativa de reduzir barreiras de acesso a outros mercados, enquanto a Índia é fortemente protecionista.Além de participar do G-20, a Índia lidera um grupo chamado G-33, do qual fazem parte países da Ásia, como China, Filipinas e Indonésia, que pregam a manutenção ou aumento do nível da proteção de seus mercados. Para Nassar, houve um "erro tático" em não avaliar que o conceito da Índia, mais protecionista, era diferente do brasileiro. Ainda assim, ele argumenta que o G-20 ganhou "vida própria" e não interessa ao governo brasileiro mudá-lo.Na prática, Nassar acredita que a reunião prevista para agosto será política e criará um ambiente para a continuidade das negociações com vistas à retomada da Rodada de Doha. "Deverão reforçar o compromisso com a Rodada", afirmou. Além disse, explica ele, o G-20 não tem como se movimentar muito enquanto os americanos não apresentarem perspectivas de mudança de sua proposta. Colaborou Adriana Chiarini

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