Brasil apresentará lista incompleta na Alca

O governo brasileiro irá apresentar, no próximo dia 15, uma lista incompleta para liberar produtos para a Alca. Segundo o subsecretário-geral do Itamaraty para temas comerciais, embaixador Clodoaldo Hugueney, o Brasil não enviará as propostas para os setores de investimentos, compras governamentais e provavelmente o de serviços.O principal negociador norte-americano para a Alca, Peter Allgeier, disse que entende a posição brasileira em não fazer propostas em todas as áreas. "O governo nos disse que o atraso será de curto prazo", afirma o negociador dos EUA. Segundo ele, em 2005, tanto o Brasil como os Estados Unidos assinarão o acordo. Para ele, os Estados Unidos vão trocar propostas com todos os países que estiverem prontos para negociar. "A impressão que temos é que o Brasil continua comprometido com a Alca e com um bloco que permita o crescimento de suas exportações", afirma.A lista que será apresentada pelo Brasil está sendo concluída pelos Ministérios do Desenvolvimento e da Agricultura e, segundo Hugueney, trará uma classificação de produtos industriais e agrícolas que o Brasil gostaria de incluir na Alca. Segundo o diplomata, a lista será menor que a que o País apresentará à União Européia (UE) no dia 28 de fevereiro. "Trata-se de nossa segunda proposta aos europeus e, naturalmente, a lista será mais ampla e incluirá um valor significativo do comércio entre os dois parceiros", disse.Na primeira lista apresentada pelo Brasil e os parceiros do Mercosul aos europeus, o bloco sul-americano incluiu apenas 33% do comércio bilateral. Apesar de mandar a proposta pelo menos para o setor de bens, o Itamaraty aponta que as negociações para a criação da Alca dependerão da oferta que será feita pelos Estados Unidos e se incluirá produtos de interesse do Brasil, como agrícolas e têxteis. Allgeier garante que os Estados Unidos farão propostas em todas as áreas. "Será uma proposta ambiciosa e que marcará o tom das negociações", afirma Allgeier. Além disso, o governo alerta: não adianta os norte-americanos insistirem em falar apenas de redução de tarifas, já que os principais obstáculos para as exportações nacionais são as medidas antidumping e de salvaguardas impostas pelos EUA. "O setor privado brasileiro, entre eles o siderúrgico, não estará interessado em um acordo que somente trate de tarifas", afirma Hugueney.Na sexta-feira, o diplomata se reúne, em Genebra, com Peter Allgeier. Os dois irão presidir as negociações da Alca até 2005 e acertarão, durante a reunião, como essa presidência conjunta ocorrerá.

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