Brasil aproveita Fórum Econômico para apoiar Argentina

O governo brasileiro está aproveitando o Fórum Econômico Mundial para defender o apoio financeiro à Argentina. O ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, veio preparado para cuidar desse tema nas sessões para as quais foi escalado. Em Washington, Amaral e o ministro do Exterior, Celso Lafer, trataram do problema em contatos com os secretários de Estado e do Comércio, Colin Powell e Don Evans, com a assessora da Casa Branca para Assuntos Estratégicos, Condolleza Rice, e com o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick. O governo argentino, disse Amaral, está enfrentando ao mesmo tempo pressões internas e dificuldades externas para conversar de forma ortganizada com os credores. Precisa de tempo para se arrumar e para montar um plano satisfatório de recuperação da economia. Isso torna indispensável a obtenção imediata de recursos, para que o país possa funcionar no curto prazo.O governo brasileiro, segundo Amaral, continua empenhado em reativar o comércio com a Argentina e para isso está procurando mobilizar financiamento.O ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, era esperado em Nova York para participar do Fórum. O secretário do Tesouro americano, Paul O´Neill, reafirmou na sexta-feira, ao discursar num almoço, que seu governo está disposto a apoiar a Argentina, por meio das instituições financeiras internacionais, se um plano econômico sustentável for apresentado pelo presidente Duhalde. Desperdício - Em seu discurso, O´Neill selecionou a Argentina como exemplo de país que desperdiçou dinheiro de ajuda externa com más políticas econômicas. A posição afirmada por Paul O´Neill é exatamente oposta à defendida pelos ministros Celso Lafer e Sérgio Amaral em seus contatos em Washington. Eles procuraram mostrar que o socorro à Argentina tem sentido estratégico e que o governo precisa de dinheiro até para ter condições de se dedicar à montagem de um bom plano. Os brasileiros vieram preparados para repetir sua argumentação nos contatos programados para Nova York. Exportação - Comércio internacional, propriedade intelectual, interesses latino-americanos e perspectivas da economia global são alguns dos temas em que os participantes brasileiros envolvidos no Fórum Econômico Mundial. O primeiro a entrar nas discussões do Fórum foi o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que paticipou de mesa redonda sobre as possibilidades de reativação mundial. Os ministros chegaram na sexta-feira e sua primeira aparição pública foi à noite, num jantar. Sérgio Amaral aproveitou a oportunidade para dizer que a exportação é uma nova prioridade brasileira, agora somada aos objetivos de inflação baixa, estabilidade fiscal e abertura de mercado, consagrados, segundo ele, nos anos 90. Disse também que a exportação pressupõe a remoção de barreiras, a começar pelas internas - impostos inadequados e juros altos. Pelo menos em relação aos impostos o recado, se havia algum, foi dirigido mais a seus colegas de governo - especialmente da Receita Federal - que aos interlocutores de fora. Barreiras - O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, falou sobre as dificuldades de exportar alguns dos produtos em que o País é muito competitivo, por causa de barreiras nos grandes mercados.

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