Brasil aproveita "ventos a favor" para crescer, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse hoje que o Brasil está aproveitando melhor "os ventos a favor" da economia mundial para crescer mais do que em outros ciclos de expansão econômica. "Houve momentos da nossa história recente que o ambiente externo era favorável e o Brasil cresceu pouco", disse o ministro, após participar da reunião do comitê monetário e financeiro internacional (IMFC, na sigla em inglês) da reunião conjunta anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial. Segundo Palocci, o atual ciclo de crescimento, que teve início no final de 2003, registra taxas mais elevadas do que a média histórica do País. "O mais importante é que, depois de passarmos por um ajuste forte em 2003, estamos crescendo por dois anos seguidos, ou a oito trimestres, com uma taxa média de 4,5%, o que é uma taxa muito maior do que a observada na década anterior, cujo crescimento era metade destes 4,5%", explicou. Palocci lembrou que, nos últimos três anos, o País conseguiu criar mais de 100 mil empregos formais a cada mês, refletindo a melhora do comércio internacional brasileiro e também da produtividade das empresas. "De fato, o ambiente externo é favorável ao Brasil mas, se não houvesse rigor do ponto de vista das nossas políticas internas, não só não estaríamos aproveitando esse cenário externo favorável como talvez estivéssemos sofrendo efeitos de choques de forma mais danosa nestes últimos dois anos", disse. Assento no G7 Ao comentar o convite feito para que o Brasil participe do G7, o grupo dos países mais industrializados do mundo, Palocci, disse hoje que ficou claro nos encontros conjuntos do FMI e do Banco Mundial que há uma percepção dos principais países de que a discussão sobre os rumos da economia mundial precisa ser melhor distribuída. "Precisa haver uma agregação mais ampla nas decisões fundamentais em relação às medidas macroeconômicas mundiais, daí o reconhecimento da importância da China, do Brasil, da Índia e da Rússia quanto ao papel que esses países desempenham na economia mundial. São nações com grande população e que têm produção muito importante para o comércio mundial, e também cujos desenvolvimentos positivos ou negativos têm reflexos na economia mundial", explicou Palocci. Segundo ele, o Brasil não reivindica um assento permanente no G7, mas o mais importante é que, "na prática, a participação brasileira nas decisões exista". "É importante aprimorar o diálogo entre os países emergentes e os países mais desenvolvidos. Será positivo para a economia mundial", disse. Em relação à questão de representatividade dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI), através das cotas, Palocci disse que a boa notícia durante a reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, neste fim de semana em Washington, é que representantes de dois países de peso -- Estados Unidos e Reino Unido -- declararam apoio ao projeto de revisão de cotas. "O secretário do Tesouro inglês, Gordon Brown, me transmitiu esse apoio", disse. Palocci ressaltou que essa revisão das cotas de participação do FMI não ocorrerá no curto prazo, pois haverá ainda muito debate pela frente. "O diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, também já deu declaração favorável, mas isso não é uma questão fácil de ser resolvida, porém o apoio favorável dos principais países e lideranças é uma conquista importante", disse.

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