Brasil, Argentina e Chile terão posição conjunta na OMC e Alca

Brasil, Argentina e Chile decidiram encaminhar posição conjunta em dois fóruns: na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) que será em Cancún, no México, em setembro, e nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A decisão foi tomada ontem durante café da manhã entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina, Néstor Kirchner, e do Chile, Ricardo Lagos, que participaram da reunião de cúpula da Conferência Governista, em Surrey, a 72 quilômetros de Londres. "Esse jogo será feito no Mercosul", afirmou Lula, numa referência ao bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, do qual o Chile é membro-associado. "O Brasil está convencido de que os acordos devem ser feitos no bloco e queremos fortalecer o Mercosul porque, quanto mais forte estiver, mais força teremos para negociar na Alca." Lula disse ser preciso remover obstáculos que dificultam a exportação, sobretudo dos produtos agrícolas de países em desenvolvimento. Repetiu que a posição brasileira, explicitada em documento divulgado no mês passado, em Washington (EUA), deixa claro que o prazo para a negociação da Alca termina em janeiro de 2005. "Não tem nenhum problema, a não ser que haja mudança no comportamento dos Estados Unidos em relação à Alca", argumentou Lula. Para ele, é fundamental discutir como fazer para que os países pobres não percam competitividade com a entrada em vigor da Alca. "Os EUA querem levar todas as coisas que interessam a eles para a OMC. Então, se não for possível discutir o que queremos até 2005, nós também levaremos para a rodada de Doha", insistiu. Integração O presidente afirmou que trabalha pela entrada no Mercosul de outros países, como o Peru, e ainda para melhorar a relação com a União Européia. "Como não queremos ficar parados no tempo, lutamos para que o Mercosul se transforme num bloco sólido", observou. Na lista das posições comuns do Mercosul devem constar, além do tema dos subsídios agrícolas e acesso a mercados, outros dois pontos: legislação antidumping e propriedade intelectual. Ricardo Lagos, do Chile, informou que os três países apresentarão a Uruguai e Paraguai a proposta de "integração de projetos" de infra-estrutura, com um único objetivo: obter financiamentos internacionais. "Teremos de dar, dentro de 60 dias, uma resposta muito concreta sobre como será esse processo de integração física", comentou Lagos. "A consolidação do Mercosul passa por isso", emendou Kirchner. Ao ser questionado por jornalistas sobre crítica que teria feito a Lula, o presidente da Argentina ficou numa saia-justa. "Até agora, não tenho motivo de crítica", desconversou. Segundo o jornal argentino Âmbito Financeiro, Kirchner disse que Lula "se aproximou demais do presidente dos EUA, George W. Bush, e não conseguiu nada em troca".

Agencia Estado,

14 Julho 2003 | 08h25

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