Brasil atrai mais grupos de serviços financeiros

Economia aquecida eleva presença de fundos, corretoras e empresas de meios de pagamento

Glauber Gonçalves / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Corretoras, bancos de investimento e empresas de meios de pagamento estrangeiras ingressam no Brasil de olho na economia aquecida e nos investimentos no País. O bom momento para as empresas de serviços financeiros também pode ser percebido pelos números dos fundos de private equity.

Dados da Associação de Private Equity dos Mercados Emergentes (Empea, na sigla em inglês) mostram que a captação de recursos de fundos desse tipo em atuação no País atingiu US$ 586 milhões no primeiro semestre de 2010, superando os US$ 401 milhões obtidos em todo o ano passado.

Estudo publicado pela consultoria Ernst & Young em julho aponta que a atividade de private equity está se tornando um destino de investimento "atrativo" no Brasil, com entrada de novas empresas no País. A expectativa, diz o estudo, é de uma enxurrada de investimentos em infraestrutura para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

"A tendência (da vinda de fundos) é muito forte para 2011. Eles vão obtendo participações minoritárias para desenvolver companhias para futuros IPOs (oferta pública inicial de ações). Isso vai se estender para os próximos dois anos", avalia o presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP). Ele cita empresas do setor alimentício e educacional como possíveis alvo de interesse.

O crescimento do setor é notado também por consultorias especializadas em contratação de executivos, que viram a busca de empresas estrangeiras por esses profissionais se multiplicar. A Fesa, uma das principais empresas de headhunter do País, registrou aumento de cinco vezes, na comparação com 2009, na procura por executivos do setor financeiro para grupos estrangeiras.

Cenário. "As companhias internacionais procuram um local para investir enquanto o cenário não melhora lá fora. São empresas que não tinham escritório no Brasil", diz Ricardo Amatto, diretor da prática de mercado financeiro da Fesa.

Para Jorge Maluf, sócio-diretor da Korn/Ferry International, responsável pelo segmento de finanças, essas empresas estão sendo atraídas pelas necessidades de investimento que o País terá nos próximos anos. "São muitas oportunidades no horizonte próximo que vão demandar investimentos importantes na parte de infraestrutura, de energia limpa, e também no setor de óleo e gás, com o pré-sal, que demanda muitos recursos de longo prazo", comenta.

Líder mundial em pagamentos de compras pela internet, a PayPal foi uma das empresas estrangeiras de serviços financeiros que estrearam aqui no primeiro semestre. Escolhido para presidir as operações da empresa no Brasil, o executivo Mario Mello passou por um processo de seleção de quatro meses, que incluiu 16 entrevistas nos Estados Unidos. "Foram muito criteriosos. Fiquei na matriz quase dois meses, entre idas e vindas", conta.

Na avaliação de Maluf, o interesse por executivos brasileiros visa facilitar a entrada no País. "Eles buscam profissionais aqui porque o conhecimento local é importante para fazer negócios. Querem pessoas que já comecem jogando, já tenham relacionamentos, clientes. O que é um desafio, porque você não tem tanta gente qualificada no nosso mercado nesse segmento", diz.

O conhecimento do mercado local foi decisivo para a contratação de Mello para a PayPal. "A empresa valoriza o "networking" (rede de contatos) que a pessoa tem e sua reputação no mercado. Vários executivos disseram que tinham checado muito meu passado", diz. "A PayPal sabe que, para o negócio dela funcionar, é importante um forte conhecimento do mundo regulatório, do funcionamento dos impostos."

O executivo deixou o cargo de vice-presidente executivo da área de varejo do banco Safra para assumir a presidência da PayPal. "É um rouba-monte: são poucos profissionais, então é preciso buscá-los nos próprios grupos que já estão atuando no Brasil. Isso tem aumentado de forma importante a remuneração desses profissionais", explica Maluf, da Korn/Ferry.

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