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Brasil atrai mais investidor que os EUA

Em pesquisa realizada no país, Brasil, China e Índia superaram os Estados Unidos como mercado que pode proporcionar mais ganhos em 2011

Mike Dorning, da Bloomberg News,

21 de setembro de 2010 | 22h30

Os Estados Unidos ficaram atrás dos mercados emergentes do Brasil, da China e da Índia como lugar preferido para investir. É o que indica a Bloomberg Global Poll, pesquisa realizada pela Bloomberg, embora a maior economia do mundo ainda continue na liderança de todos os grandes países desenvolvidos.

Os Estados Unidos ocupavam o primeiro lugar há três meses, na última pesquisa realizada em junho. No último levantamento, de 16 e 17 de setembro, ao lado da percepção do declínio, os entrevistados disseram que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve adotar medidas para tentar impulsionar a economia.

Nessa pesquisa mais recente, quando foram ouvidos 1.408 investidores, analistas e corretores de bolsa assinantes da Bloomberg, os entrevistados colocaram os Estados Unidos em quarto lugar como mercado que pode proporcionar ganhos potenciais no próximo ano, atrás do Brasil e China, que ficaram nos primeiros lugares, com a Índia em terceiro.

A situação econômica americana "é obviamente insustentável, e a tentativa coordenada de pôr fim às dúvidas vem tendo cada vez menos resultado no exterior", disse Eric Kraus, estrategista da Otkritie Broquerage House em Moscou, um dos entrevistados. "Pode-se retardar, mas não impedir as consequências de uma bolha de crédito de muitas décadas."

Freio no crescimento. Notícias econômicas divulgadas desde a pesquisa de junho indicam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou de 3,7% no primeiro trimestre para 1,6% no segundo. No último trimestre do ano passado, seu crescimento anual foi de 5%.

As expectativas de um aumento do PIB no próximo ano diminuíram e a previsão média caiu de 2,9% em junho para 2,5% em setembro, de acordo com sondagem mensal da Bloomberg.

Desde a pesquisa de junho, as bolsas americanas apresentaram altas. O Índice de 500 ações da Standard & Poor’s subiu 3,62% desde a última pesquisa, em 3 de junho. Mas ele não se equipara ao índice Bovespa, que teve alta de 10,56%, e ao Bombay Stock Exchange Sensitive, da bolsa indiana, com alta de 10,44%. Porém, as ações americanas tiveram desempenho melhor do que as do índice composto da Bolsa de Xangai, com um aumento de 1,41% desde 3 de junho.

"Acho que os Estados Unidos entrarão nos trilhos, mas não nos próximos 6 a 12 meses", disse um dos entrevistados, o trader Thomas Knudsen, que trabalha para a OW Supply & Trading em Copenhague.

Para dois terços dos investidores, os responsáveis pelas políticas do Federal Reserve deverão flexibilizar sua política monetária com a compra de títulos no fim do ano. Mas 65% também acham que as compras de títulos do Fed não vão impulsionar o crescimento da economia.

No geral, os investidores deram notas positivas para o banco central americano, com 57% acreditando que a política monetária do Fed "está quase correta". Mas 26% entendem que ela é muito agressiva, enquanto 14% a consideram muito tímida.

Líderes. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, foi elogiado por 71% dos entrevistados - um crescimento de 4 pontos porcentuais em relação aos 67% de junho. Ele ocupa o lugar mais alto na lista dos oito líderes globais e políticos, que inclui o presidente Barack Obama, a chanceler alemão Angela Merkel e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

Apenas um em seis investidores acha que a economia dos Estados Unidos está melhorando, embora para 45% ela está "estável". Por outro lado, 37% acham que ela está deteriorando.

A pesquisa mostrou que a confiança no dólar vem caindo desde junho, quando 63% dos investidores acreditavam que a moeda se fortaleceria em relação ao euro nos três meses seguintes. As previsões estão agora divididas: 34% esperam um avanço do dólar em três meses; 32% acham que a situação não vai mudar muito e para 30% a moeda americana vai enfraquecer ainda mais.

A pesquisa da Bloomberg foi realizada pela Selzer & Co. de Des Moines, Iowa, e a margem de erro é de 2,6 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Os investidores estão confiantes de que os Estados Unidos evitarão o pior em termos econômicos. Sete em cada dez investidores acreditam que não há risco, ou ele é muito pequeno, de uma recessão profunda. E para 6 em cada 10, não existe risco de os Estados Unidos viverem uma "década perdida", no estilo do Japão, com um crescimento zero ou mínimo.

"Existem nuvens negras no céu, mas o pior ainda está longe", disse J. Ann Selzer, presidente da Selzer & Co. Mas os investidores estão cautelosos em relação aos déficits orçamentários recordes dos Estados Unidos. Para uma maioria de 53% , há um risco grande ou moderado de o déficit orçamentário provocar uma crise de confiança dentro de dois anos, o que pode estimular "uma alta dramática" das taxas de juro a longo prazo.

 
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