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Brasil aumenta eficiência no uso de defensivos

Ganho de produtividade e ajuda do clima explicam melhora do País, aponta estudo

REUTERS, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2014 | 02h16

O Brasil é o país que proporcionalmente menos utiliza defensivos agrícolas entre os grandes exportadores de alimentos, e foi o único que conseguiu aumentar a eficiência no uso desde 2004, mostra um estudo inédito da consultoria Kleffmann Group.

O Brasil conseguiu reduzir em 3% o gasto com defensivos entre 2004 e 2011, passando de US$ 7,28 por tonelada produzida para US$ 7,05 por tonelada.

No mesmo período, outros grandes exportadores reduziram a eficiência: a Argentina passou a gastar 47% mais e os Estados Unidos elevaram os custos com defensivos em 6%. Os EUA gastam US$ 10,65 em defensivos para produzir cada tonelada, enquanto os argentinos desembolsam US$ 10,59.

A melhora do Brasil nas estatísticas está atrelada a uma produção cada vez maior do País com um pequeno aumento de área cultivada - ganho de produtividade, em outras palavras - com a ajuda do clima, que permite o plantio de duas ou até três safras por ano em um mesmo espaço.

"O milho 'safrinha' ajudou a melhorar a matriz produtiva porque tem uma alta produção por hectare", lembrou o presidente da Kleffmann no Brasil, Lars Schobinger.

O levantamento abrange todos os produtos agrícolas, como soja, milho, trigo, cana-de-açúcar, café e hortifrutigranjeiros. A categoria de defensivos inclui fungicidas, herbicidas e inseticidas, necessários para evitar ataques que poderiam reduzir sensivelmente a produtividade das lavouras.

"O uso de defensivos (no Brasil) é bastante racional e acaba contribuindo no ganho produtivo", disse Schobinger, destacando o recente avanço da produtividade do milho no país, que ainda tem espaço para avançar frente a outros países, como os EUA.

Em números absolutos, no entanto, o Brasil - com uma agricultura tropical e uma maior incidência de pragas e doenças - é o País que mais gasta em defensivos, cerca de US$ 7 bilhões em 2011, superando os Estados Unidos, que desembolsaram US$ 6,7 bilhões naquele ano.

A pesquisa da Kleffmann abrange o período de 2004 a 2011 porque usa como importante fonte os levantamentos globais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que divulga dados com atraso.

Biotecnologia. Além dos ganhos de produtividade, que diluem os gastos com defensivos, Schobinger acredita que a adoção de biotecnologias (como sementes transgênicas) pode ajudar o Brasil a reduzir a aplicação de químicos no futuro.

O uso de sementes resistentes a herbicidas ou de plantas com genes capazes de matar insetos agressores é mais caro, mas acaba por reduzir o número de aplicações necessárias. Esse tipo de tecnologia consolidou-se nas lavouras de soja e milho do país na última década.

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