Brasil bate novo recorde de fusões

Foram fechados 677 negócios em 2007, 43% a mais que em 2006

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

O número de fusões e aquisições no Brasil alcançou novo recorde em 2007, de acordo com levantamento feito pela consultoria KPMG. Segundo a pesquisa, de janeiro a dezembro deste ano o número de transações anunciadas no País chegou a 677. O número final do ano superou em 43% as operações de fusões e aquisições realizadas ao longo de 2006. No ano passado, o Brasil já havia registrado movimento recorde de negócios.Em quantidade de operações, os setores de alimentos, bebidas, fumo e tecnologia da informação foram os destaques. Em valores, o setor petroquímico foi um dos mais relevantes. Em março, por exemplo, Petrobrás, Braskem e Ultra anunciaram a aquisição do Grupo Ipiranga por US$ 4 bilhões. "O resultado visto em 2007 reflete o cenário de liquidez internacional e de bom desempenho da economia e das empresas brasileiras", diz Claudio Leoni Ramos, sócio da KPMG e responsável pela área de fusões e aquisições.Pelo quarto ano consecutivo, o número de negócios envolvendo empresas estrangeiras superou a quantidade de operações entre companhias nacionais. No total, foram 333 negócios entre brasileiras ao longo do ano e 344 transações com alguma participação de capital externo.Nesse caso, a KPMG considerou as transações envolvendo estrangeiros que compraram ou venderam ativos no Brasil ou no exterior. Ramos alerta, entretanto, que o número de negócios com participação de capital externo desacelerou no segundo semestre do ano. Ele atribui essa redução à crise de crédito nos Estados Unidos, que começou exatamente na segunda metade de 2007.No início desta semana, o consórcio E2, formado por Esmark Incorporated e Wheeling-Pittsburgh Corporation, abriu mão da compra da siderúrgica norte-americana Sparrows Point, controlada pela ArcelorMittal. O negócio foi anulado por causa da incapacidade do consórcio de levantar recursos financeiros. Era uma operação que ampliaria a estatística da KPMG, já que a Vale integrava o grupo comprador, com uma participação de US$ 270 milhões."É possível que a redução dos negócios envolvendo empresas estrangeiras no segundo semestre no Brasil tenha relação com a crise do subprime. Também é possível que isso se mantenha em 2008, o que torna difícil avaliar se o número de transações conseguirá superar a deste ano", avalia Ramos.MUDANÇAPela primeira vez em décadas, as crises internacionais não parecem ter força suficiente para quebrar a confiança nas empresas brasileiras. Para João Roberto Teixeira, vice-presidente executivo do ABN-Amro, as companhias nacionais estão capitalizadas, lideram mercados importantes e contam com boa geração de receita, além de estarem num ambiente de moeda fortalecida ante à baixa do dólar."Esse é um fato inédito. Pela primeira vez, em décadas, empresas brasileiras possuem uma situação mais favorável do que as concorrentes internacionais. A crise externa abre uma grande oportunidade de internacionalização das companhias brasileiras", diz Teixeira. Ele avalia que a restrição de crédito no mercado internacional não será tão severa para as empresas nacionais.Casos como as 12 aquisições feitas pela Gerdau ao longo de 2007 ou a ofensiva do grupo Friboi no mercado internacional - a empresa comprou a americana Swift por US$ 1,4 bilhão neste ano - podem se repetir.

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