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Brasil, Bolívia e Argentina terão usinas em parceria

Serão três usinas conjuntas entre Brasil e Argentina e duas usinas entre Brasil e Bolívia

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2008 | 14h10

Brasil, a Bolívia e a Argentina vão construir usinas hidrelétricas de forma conjunta para tentar reduzir problemas de energia na região. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 25, pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. Segundo o ministro, serão construídas cinco hidrelétricas, sendo três conjuntas entre Brasil e Argentina e duas entre Brasil e Bolívia. As cinco usinas vão gerar 10 mil megawatts (MW) e o custo será da ordem de R$ 30 bilhões.   Veja também:  Lula quer encerrar disputa do gás  Próxima reunião será em La Paz, dentro de 10 dias  Após a reunião dos três presidentes em Buenos Aires, no último sábado, ficou acertado que em 10 dias haverá um encontro entre ministros para discutir a política energética do Mercosul. Segundo Lobão nessa reunião, cujo local ainda não foi definido, serão discutidos os termos dos acordos dessas hidrelétricas.O ministro reconhece que não são obras de curto prazo, mas para tentar solucionar os problemas desses países. Esse plano conjunto de construção de hidrelétricas, segundo o ministro, será nos moldes da usina hidrelétrica de Itaipu, no Paraguai.Segundo o ministro, naquilo que os países não puderem arcar com as despesas, recorrerão ao crédito externo. Edison Lobão informou também que por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participará dessas reuniões para evitar problemas de licença ambiental. "Isso é para que a burocracia seja definitivamente banida nesses entendimentos", declarou Lobão.Gás boliviano   Sobre o pedido da Argentina de cessão de gás que o Brasil importa da Bolívia, o ministro Lobão foi taxativo, reiterando que o Brasil não abre mão do gás boliviano. "Não haverá nenhuma modificação no contrato assinado com a Bolívia." Ele ressaltou, no entanto, que o Brasil está disposto a ajudar a Argentina com outras formas de energia. "Vamos ajudar o país amigo nos momentos difíceis", disse o ministro, numa referência ao fornecimento de energia ao país vizinho, no inverno.   No final de semana, na primeira reunião do grupo de trabalho formado por ministros da Argentina, Bolívia e Brasil para discutir a falta de energia na região, o governo brasileiro cobrou informações sobre produção e necessidades de cada país. Durante visita a Buenos Aires, entre sexta-feira e sábado, para discutir o problema, o presidente Lula reclamou de informações desencontradas e insistiu que o grupo precisa pensar em ações de médio e longo prazo e não se restringir a necessidades imediatas, como a que levou a Argentina a pedir que o Brasil cedesse parte dos 31 milhões de metros cúbicos de gás que importa da Bolívia. O Brasil negou o pedido e, segundo integrantes da comitiva brasileira, Lula quer encerrar o assunto.Em reunião com os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Bolívia, Evo Morales, no sábado, Lula insistiu que não é possível discutir a falta de gás e as carências energéticas "quando o problema está iminente". O presidente defendeu que, em vez de soluções pontuais, haja política estratégica de energia para a região. E, para isso, afirmou, são fundamentais informações confiáveis sobre produção e demanda.Negociadores brasileiros citaram, por exemplo, que há dados diferentes sobre a produção boliviana de gás. Ora se fala em 39 milhões de metros cúbicos diários, ora em 42 milhões e até em 45 milhões.Em 2006, a Argentina firmou acordo com a Bolívia para receber 7,7 milhões de metros cúbicos diários de gás, mas o presidente Evo Morales já deixou claro que não terá como cumprir a promessa. Morales ficou ao lado de Cristina Kirchner e defendeu a revisão nas cotas argentina e brasileira.O presidente Lula, no entanto, disse que a economia brasileira está crescendo e a indústria aquecida impede que o governo repasse parte do gás que recebe da Bolívia. Em vez de gás, ofereceu repasse de energia elétrica durante o inverno, quando há risco de desabastecimento na Argentina. Estranheza A presença de Evo na reunião de sábado, a convite da presidente argentina, causou estranheza à comitiva brasileira, embora fizesse parte da programação oficial. No entendimento de ministros e do presidente Lula, o presidente boliviano deveria ter ficado isento e sua presença era dispensável. Apesar de se tratar de gás boliviano, o impasse envolvia Brasil e Argentina.Segundo negociadores ouvidos pelo Estado, Evo tinha expectativa de vender seu gás mais caro à Argentina. Na interpretação da comitiva, Morales aliou-se a Cristina Kirchner numa tentativa de "encurralar" o Brasil, mas a estratégia não deu certo. Ao aliar-se à Argentina, Morales não levou em conta o fato de que o Brasil, por meio da Petrobrás, tem feito investimentos na Bolívia decisivos para ampliar a exploração do gás.Na volta ao Brasil, Lula elogiou a atuação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nas negociações com a Argentina. O presidente gostou dos argumentos apresentados por Lobão de que a indústria brasileira tem necessidade absoluta de todo o gás que o Brasil importa. O presidente comentou que é preciso deixar o discurso do problema conjuntural e tratar a questão de forma estrutural.  

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