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Brasil busca apoio internacional contra Farm Bill

O governo brasileiro vai buscar o apoio do chamado Grupo de Cairns - formado pelos 18 maiores exportadores agrícolas mundiais - para questionar junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), os prejuízos que a nova lei agrícola dos Estados Unidos (Farm Bill) trará aos países em desenvolvimento. A proposta para que o Grupo de Cairns recorra unido à OMC contra as subvenções americanas - US$ 412 bilhões na próxima década - será apresentada pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, em Roma, em reunião do grupo que começa no próximo domingo e se estende na segunda-feira seguinte. "Vamos propor que os países do Grupo de Cairns contestem, em conjunto, os efeitos da nova Farm Bill sobre uma série de produtos agrícolas", disse o ministro à Agência Estado.Pratini de Moraes disse que a intenção é a de que seja questionado o efeito das subvenções americanas sobre produtos que tem enorme peso na economia dos países em desenvolvimento, como soja, algodão, lácteos, lã, milho e trigo. Pratini não considera difícil obter o apoio desses países. O Grupo de Cairns já se manifestou contra a nova Farm Bill americana à época em que a sua aprovação foi anunciada. A ação junto ao Grupo de Cairns será mais um reforço na briga do Brasil contra o protecionismo americano. O governo continuará questionando na OMC, isoladamente, políticas de subsídios dos Estados Unidos a seus produtos. Já formalizou na OMC um pedido de consultas contra as salvaguardas concedidas ao aço americano, e deverá encaminhar, ainda neste ano, questionamento formal contra os subsídios concedidos pelos EUA a soja e o algodão. Também pretende recorrer contra as barreiras impostas pela União Européia ao açúcar brasileiro. Os ministros de agricultura dos países que integram o Grupo de Cairns (Austrália, Brasil, Argentina, Chile, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul e Colômbia, entre outros), estarão em Roma para participar da IV Reunião e Cúpula da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que acontece entre os dias 10 e 13 próximos. A reunião para discutir os efeitos da nova Farm Bill sobre os países exportadores de produtos agrícolas foi marcada, no entanto, já em meados do mês passado. Eles também vão aproveitar a presença da secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Venemam, que estará em Roma para participar da reunião da FAO, para manifestar seu descontentamento com a política agrícola norte-americana. Pratini de Moraes enfatizou hoje que a nova Farm Bill compromete a continuidade das negociações no âmbito da OMC, iniciadas em Doha (Catar) no final do ano passado, para maior liberalização do comércio mundial. O governo brasileiro, segundo Pratini, não levou a sério a proposta apresentada pelos Estados Unidos à OMC no início desta semana, de eliminar subsídios à exportação de produtos agrícolas no prazo de cinco anos, após a conclusão da rodada da OMC. "Os subsídios à exportação não têm muito peso nos Estados Unidos. O forte são os programas americanos de apoio interno à produção, que deprimem os preços mundiais, como é o caso da soja e do algodão. E sobre esses, eles não querem nem conversar", observou.

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