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'Brasil busca millennials no exterior para setor de TI', diz empresa de transferência de executivos

Opção por profissional mais jovem traz 'sangue novo' aos negócios e, além disso, custa bem mais barato do que trazer executivos mais experientes e com família

Entrevista com

Haroldo Modesto, diretor da Crown World Mobility no Brasil

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2020 | 05h00

Especializada em movimentação de executivos, a consultoria Crown World Mobility administra 120 mil transferências de executivos de países de todos os continentes do mundo. Desse total, 3 mil são gerenciadas a partir do Brasil – são executivos chegando e saindo do País ou de outros países latino-americanos, mas cuja “nova vida” é organizada a partir de São Paulo.

Segundo Haroldo Modesto, diretor da operação brasileira da Crown, apesar de a movimentação ter ficado parada em março e abril, por causa da pandemia de coronavírus, o setor está voltando ao ritmo normal. O executivo diz que o ritmo de saída de brasileiros continua forte, assim como a entrada de estrangeiros no País. Neste último grupo, ele identifica um perfil “emergente”: profissionais da geração “millennial”, que chegam sobretudo da China e dos EUA para trabalhar no setor de TI.

Esse perfil mais jovem, traz “sangue novo” e economia às empresas: trazer talentos jovens – que geralmente vêm sozinhos, e não com a família – geralmente custa bem mais barato.

Como está o movimento internacional de executivos em tempos de pandemia?

Vemos muita gente da área financeira e de RH vindo ao País. É importante, porque traz uma nova visão, ajuda no resultado do negócio. Outra tendência é as empresas buscarem um profissional mais jovem. Os millennials já começaram a chegar, sobretudo para o setor de tecnologia. E é uma transferência mais barata para a empresa.

E como está o movimento dos executivos brasileiros?

Tem muita gente que voltou – parte por medo da pandemia e parte porque trabalhava em setores que sentiram muito a pandemia, como as companhias aéreas. Do lado da saída, o executivo brasileiro está indo para cada vez mais mercados, especialmente para desenvolvimento de novos negócios. Tem brasileiro indo para o Oriente Médio, para a China e para a África com esse intuito.

Como está o movimento de expatriações neste momento?

Tudo parou em março e abril, mas aos poucos começou a voltar. Sem a pandemia, teríamos crescido neste ano. Entre janeiro e agosto, ficou igual ao ano passado.

O que determina o sucesso ou o fracasso de uma transferência?

Normalmente, somos acionados quando a empresa já fez a escolha, mas também oferecemos serviço que identifica o índice de adaptação cultural dos candidatos. A parte cultural é bem importante, porque a dificuldade de adaptação da família é um dos principais motivos para o executivo pedir para voltar.

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