José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Brasil cai 4 posições em ranking do investimento estrangeiro em 2015

Fluxo de investimentos recuou 11,5% no ano passado, para R$ 64,6 bi, e País ocupa agora a 8ª posição de lista

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2016 | 17h01

O fluxo de investimento estrangeiro para o Brasil recuou 11,5% no ano passado e o País caiu quatro posições no ranking das economias que mais atraem capital internacional, para o oitavo lugar. A informação consta do relatório anual World Investment Report 2016 divulgado nesta terça-feira pela Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Com esse desempenho, o Brasil vai na contramão da tendência global, que registrou forte aumento de 38% nos fluxos de investimento direto no ano passado.

De acordo com dados divulgados pela entidade, o fluxo total de investimento estrangeiro para o País caiu de US$ 73,086 bilhões em 2014 para US$ 64,648 bilhões no ano passado. "A atividade de investimento em geral no Brasil - medida pela formação bruta de capital fixo - caiu no decorrer do ano registrando declínio acumulado de 14% em termos reais no fim de 2015", cita o documento. "Com a economia em recessão e os resultados corporativos em queda, os lucros reinvestidos tombaram 33%". Entre os setores que mais sofreram, a entidade destaca o segmento de infraestrutura.

O relatório da Unctad nota que, apesar da crise econômica e da queda do valor total, alguns segmentos tiveram aumento do investimento estrangeiro. A entidade destaca que o investimento estrangeiro destinado à compra de ações se mostrou "resiliente" e registrou aumento considerado "modesto" de 4% no ano.

Por setores, destaque para a indústria automotiva e saúde. "A despeito da queda da produção de carros, o investimento em ações no setor automotivo aumentou expressivamente conforme projetos antigos avançaram", cita o relatório. Para a saúde, o investimento estrangeiro saltou de US$ 16 milhões para US$ 1,3 bilhão em um ano após mudança da legislação que passou a aceitar capital estrangeiro para o setor.

Ao mesmo tempo, a desvalorização do real incentivou multinacionais interessadas em ativos no Brasil - já que a conversão para a moeda brasileira é mais favorável ao estrangeiro e dá oportunidade de comprar ativos com desconto. Nesse ambiente, a Unctad destaca a operação de compra de ações da fabricante de cigarros Souza Cruz pela British America Tobacco por US$ 2,45 bilhões.

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