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Executivo brasileiro está entre mais otimistas em 2017, mas contratações ainda vão demorar

Pesquisa da PwC divulgada antes do Fórum Econômico Mundial em Davos também mostra que País caiu da sexta para a sétima posição em ranking de destinos globais de investimentos

Rolf Kuntz, enviado especial

16 de janeiro de 2017 | 17h03
Atualizado 16 de janeiro de 2017 | 20h09

Executivos brasileiros estão entre os mais otimistas do mundo quanto ao futuro de seus negócios, mas poucos pretendem contratar neste ano, segundo pesquisa divulgada pela PwC no âmbito do Fórum Econômico Mundial em Davos, nos alpes suíços.

Espantosos 57% (a palavra original é “astonishing”) estão “muito confiantes no crescimento de sua companhia nos próximos 12 meses”, de acordo com o relatório. Na média global, só 38% dos entrevistados mostraram a mesma confiança. No Brasil, no ano passado, só 24% deram essa resposta. Quando o prazo é alongado para três anos, 79% - 25 pontos mais que na pesquisa anterior - apostam no crescimento. A media global, nesse quesito, ficou em 51%.

O país continua entre os mais atrativos para o investimento estrangeiro, mas perdeu várias posições nessa lista nos últimos anos. Em 2011, 19% dos consultados apontaram o Brasil como um bom lugar para investir. Os primeiros cinco eram China (39%), Estados Unidos (21%), Brasil (19%), Índia (18%) e Alemanha (12%). O país está hoje fora da lista dos cinco primeiros. Estados Unidos (43%) passaram à liderança, seguidos de China (33%), Alemanha (17%), Reino Unido (15%) e Japão (8%). Índia e Brasil aparecem depois, cada um com 7%, na sétima posição - o País aparecia em sexto no ano passado.  

Os autores do relatório chamam a atenção para o recuo dos emergentes, por muito tempo apontados como lugares ideais para expansão dos negócios, e para o retorno das grandes economias capitalistas ao topo da lista. O caso do Reino Unido é especialmente notável, por causa das “consideráveis incertezas” vinculadas à negociação de sua saída da União Europeia. 

A China aparece como exceção, ainda em segundo lugar, embora tenha perdido terreno, entre os investidores, por causa de seus problemas com um “preocupante” bolha de endividamento (referência implícita a setores empresariais e a governos subnacionais). A explicação do recuo da Índia aparece em tom mais hipotético. Há referências à lenta execução de seu programa de reformas e a dificuldades de curto prazo no programa de conversão da rúpia. Mas a economia indiana, acrescentam os analistas, mantém crescimento robusto e exibe reformas fiscais e monetárias. 

A queda do Brasil na classificação é vinculada a uma “recessão profunda”, mas o comentário é completado com um pitada de otimismo: as coisas estão começando a mudar. 

Apesar do otimismo quanto ao crescimento de suas companhias, a maior parte dos executivos brasileiros mostra prudência nos planos. Quase todos (90%) falaram de “crescimento orgânico” nos 12 meses seguintes, enquanto 86% mencionaram planos de redução de custos. Só 36% mencionaram a intenção de ampliar o quadro de pessoal neste ano e 26% falaram em demissões. 

Os perigos apontados pelos executivos brasileiros já apareceram em várias pesquisas. Na área de política econômica, 88% citaram excesso de regulação, 86% mencionaram possível aumento de pesos dos tributos, 81% apontaram infraestrutura inadequada. A incerteza quanto ao crescimento foi mencionada como um risco por 74% - um dado contrastante com a expectativa de progresso das companhias. Mas ´frequente, nesse tipo de pesquisa, a demonstração de mais confiança na capacidade da empresa que nas condições gerais da economia.

Na lista das ameaças típicas da vida empresarial, 69% apontaram em primeiro lugar a disponibilidade de mão de obra com as competências-chave, um problema também citado de forma recorrente. 

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