Brasil cai no ranking de produtividade do trabalho industrial

O fraco desempenho da produtividade do trabalho industrial na primeira metade desta década fez o Brasil despencar no ranking mundial deste indicador e se distanciar das principais economias do mundo. Segundo o documento, o País caiu para a penúltima (22ª) posição em relação aos outros países (período 2001-2004, porque ainda não há dados disponíveis do ano de 2005 relativos aos outros países), depois de ter, nos anos 90, ficado nas primeiras posições (6º lugar de 1991-1995 e 4º lugar de 1996 a 2000). A PRODUTIVIDADE DO TRABALHO NA INDÚSTRIA (taxa de crescimento média por ano, em %) Posição Países 1991-1995 1996-2000 2001-2004 1 Índia 6 6 10,1 2 Cingapura 10,3 5,6 8,2 3 Malásia 6,9 5,5 6,9 4 Tailândia 2,8 1,9 6,2 5 Estados Unidos 4,2 5,5 6,1 6 Coréia do Sul 8,9 11,7 6,0 7 Suécia 7,5 7,4 5,5 8 Japão 1,9 4 5,3 9 Taiwan 5,2 5,2 4,3 10 Reino Unido 3,1 2,7 3,9 11 Hong Kong 7,7 5,5 3,7 12 México 5,8 5,2 3,6 13 Bélgica 2,8 3,6 3,3 14 Alemanha 3,3 3 2,6 15 Austrália 3,3 3,8 2,4 16 Noruega 0,8 0,9 2,4 17 Holanda 3,5 2,3 2,3 18 Argentina 8,4 4,8 2,2 19 Canadá 4,0 3,4 1,8 20 França 4,3 4,3 1,5 21 Dinamarca 3,3 2,9 1,4 22 Brasil 7,2 5,9 1,3 23 Itália 3,2 1,1 -0,9.   Posição do Brasil: 6º Posição do Brasil: 4º Posição do Brasil: 22º Fonte: CNI "O baixo crescimento da produtividade tende a reduzir os ganhos de competitividade conquistados com a modernização do parque industrial brasileiro ocorrida nos anos 90", diz o documento. "Esse é o dado mais preocupante: os ganhos da década de 90 estão sendo perdidos nos anos 2000", acrescentou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca. De 2001 a 2004, a Índia foi o país que apresentou maior crescimento de produtividade em média por ano: 10,1%. Em seguida, aparecem no ranking os também asiáticos Cingapura, Malásia e Tailândia. Os Estados Unidos ocuparam a 5ª posição, com produtividade anual média crescendo a uma taxa de 6,1%. Sinal de alerta Para a CNI, esse distanciamento do Brasil em relação ao mundo acende um sinal de alerta, sobretudo do ponto de vista das exportações. "Assim como parte do desempenho exportador dos últimos anos é creditada aos ganhos de produtividade da década de 90, o baixo crescimento da produtividade tende a comprometer o vigor dos setores exportadores no futuro", diz a nota. Segundo a entidade, para o Brasil se recuperar no ranking da produtividade é precisar elevar o nível de investimento, sobretudo o voltado para a inovação tecnológica. "Deixar de fazê-lo significa permitir que o Brasil volte a se distanciar dos demais países do mundo em termos competitivos", sentencia o boletim. Para Renato da Fonseca, a queda na taxa de juros precisa ocorrer de forma consistente, de modo a tornar o investimento mais barato e também produzir um crescimento econômico mais vigoroso e sem interrupções, o que estimularia os empresários a investir. Números comprovam O fraco desempenho da produtividade do trabalho na indústria de transformação, que levou à queda do Brasil no ranking, é comprovada pelos números do boletim. Em 2005, houve queda de 1,4% na produtividade - calculada dividindo-se a produção pelo número de trabalhadores. Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado da produtividade foi de 3,4%, o que redundou em uma média anual de apenas 0,7%. De acordo com a nota da CNI, a queda na produtividade ocorrida no ano de 2005 "não chega a surpreender", uma vez que, com a desaceleração no aumento da produção, mas com a continuidade do crescimento no emprego, a tendência natural era que houvesse um impacto negativo nesse indicador. O resultado, segundo a CNI, consolida o primeiro quinqüênio da década como um dos piores dos últimos 35 anos, ganhando apenas da segunda metade dos anos 80, a chamada década perdida. De 1986 a 1990, a produtividade da indústria teve uma queda média anual de 0,7%. "A redução da produtividade em 2005 é menos preocupante que o baixo desempenho no acumulado do primeiro quinqüênio desta década", explica o documento, acrescentando que o problema maior ocorreu no período 2001-2003, quando a produção industrial cresceu muito pouco (1,7%) e a produtividade ficou praticamente inalterada. Comparando-se a produtividade média anual dos cinco anos passados com o índice de 1996 a 2000, cujo crescimento médio anual da produtividade foi de 5,9%, fica evidente a forte desaceleração ocorrida. No período 1993-1995, que capta os anos iniciais da pesquisa de emprego da CNI, a produtividade média anual foi de 7,9%.

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