Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Brasil cai no ranking dos destinos preferidos de multinacionais até 2018

Volume de investimentos, porém, vai aumentar diante de desvalorização do real

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2016 | 15h45

GENEBRA - O Brasil cai no ranking dos destinos mais atraentes para o investimento de multinacionais até 2018. Dados divulgados pela ONU nesta quinta-feira revelam que apenas 11% das grandes empresas do mundo indicaram que tem planos de aumentar investimentos no Brasil nos próximos dois anos. Isso coloca o País na 7ª colocação entre as economias mais cobiçadas. Na última vez que o levantamento foi feito em 2014, o Brasil aparecia na quarta posição. 

A queda apenas não foi maior, segundo a ONU, por conta da desvalorização do real. A mudança cambial tornou atrativo a compra de ativos de empresas nacionais por grupos estrangeiros. Por isso, o volume de dinheiro entrando no País continua a aumentar. 

De fato, no primeiro trimestre do ano, aquisições aumentaram na América Latina de forma profunda, com um salto de 80%, graças a vendas maiores de ações no Brasil, Chile e Colômbia.

Em seus dados oficiais, o Banco Central aponta que o País recebeu em agosto US$ 7,2 bilhões em investimentos. Nos últimos doze meses, o volume chegou a US$ 74  bilhões, uma cifra que já quase alcança a de todo 2015, quando a economia nacional recebeu US$ 75 bilhões. 

O local preferido das multinacionais é a economia dos EUA, com 41% respondendo que pretendem aumentar investimentos. Em segundo lugar vem a China. Superam ainda o Brasil na preferência das multinacionais o Japão, Alemanha, Reino Unido e Índia. Segundo o levantamento, a China também deve ser a maior fonte de investimentos nos próximos dois anos, seguida pelos EUA e Reino Unido. 

Já a situação no continente latino-americano não é das melhores. Em 2016, a projeção é de que investimentos sofram uma queda de 10% na América Latina, para um total de US$ 140 bilhões e US$ 160 bilhões. "As condições macroeconômicas continuam difíceis, com a região projetada a entrar ainda mais em recessão em 2016", indicou a entidade. "A demanda doméstica fraca, levada por queda no consumo privado, e somado à depreciação de moedas, vão pesar no investimento domésticos em manufatura, assim como no setor de serviços", indicou. 

A queda nos preços de commodities também deve "adiar projetos de investimentos na indústria extrativa". 

Na região, o valor anunciado de novos projetos caiu em 17% em comparação a 2014, para um total US$ 73 bilhões. No setor extrativo, a queda foi de 86%. Isso, segundo a ONU, tem uma relação direta com a suspensão de planos de investimentos de Petrobrás, Ecopetrol (Colômbia) e Pemex (México).

"Dados preliminares para o primeiro trimestre de 2016 sugerem que investimentos novos continuam a ser fracos, com o número de projetos caindo em 19% e seu valores em redução de 18%", indicou a ONU. 

No restante do mundo, a projeção da ONU também aponta para uma queda de 10% a 15% no fluxo de investimentos em 2016, " refletindo a fragilidade da economia global e a debilidade da demanda, crescimento baixo na exportação de commodities e queda nos lucros de multinacionais em 2015 ". Depois de dois anos de aumento, os lucros das 5 mil maiores empresas do mundo sofreram uma contração em 2015, atingindo o menor nível desde 2008.

Para 2017, a projeção é de uma pequena alta e de que o volume supere a marca de US$ 1,8 trilhão em 2018. Ainda assim, o volume estaria abaixo dos dados de 2007, antes da crise internacional.

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