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Brasil caminha para a autossuficiência de gás, afirma Lula

Presidente lembra que parcerias internacionais devem continuar, mas ressalta redução da dependência

Kelly Lima e Nicola Pamplona, da Agência Estado,

18 de março de 2009 | 12h19

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou nesta quarta-feira, 18, que o Brasil está caminhando "lentamente" para uma autossuficiência no abastecimento de gás no País. Em visita ao terminal de regaseificação instalado na Baía de Guanabara, ele destacou que a situação atual é bastante diferente daquela que o Brasil enfrentou com a crise do abastecimento do gás boliviano. "Com esse terminal de GNL (Gás Natural Liquefeito) e mais outros pontos de produção a que estamos dando início no Brasil, queremos mostrar ao mundo que somos independentes nessa área de gás", disse.

 

O presidente lembrou, no entanto, que as parcerias internacionais, com a Bolívia ou outros países, deverão continuar. "Houve um tempo em que o Morales (presidente da Bolívia) era só queixas para com a Petrobras e a Petrobras era só queixas com Evo, mas isso já é passado porque conseguimos implementar em tempo recorde o plano de desenvolvimento de gás no Brasil, estamos diminuindo essa dependência de uma única fonte", afirmou Lula a bordo do navio responsável pela gaseificação do GNL - construído em Cingapura.

 

Questionado sobre o tema, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli sinalizou que não haverá redução de preços no curto prazo, embora analistas calculem que os preços cobrados pela gasolina e pelo diesel estejam bem acima dos vigentes no mercado americano. "Sempre dissemos que não vamos repassar nem quanto tiver surto de preço alto nem quando tiver surto de preço baixo", afirmou Gabrielli. Ele lembrou ainda que a desvalorização do real contribuiu para evitar uma defasagem ainda maior nos preços.

 

Gabrielli comentou ainda que, se o preço nacional está muito caro, a lei permite a importação de combustíveis por outras distribuidoras. "O mercado brasileiro é aberto e tem mais de 250 distribuidoras que podem importar quando quiserem", afirmou. O presidente da Petrobras logo em seguida negou, ao responder a pergunta de jornalistas se seria candidato a algum cargo no Legislativo, que sairá candidato a qualquer cargo eletivo em 2010.

 

Navio

 

Gabrielli afirmou que a companhia estuda a compra de um navio de Gás Natural Liquefeito (GNL) para garantir maior autonomia às suas operações nesse segmento. Segundo ele, com a construção de dois terminais de GNL no País, o Brasil caminha para a independência no fornecimento de gás. A compra de um navio próprio de GNL seria o próximo passo nesse sentido, uma vez que as duas embarcações usadas hoje pela estatal são afretadas."Ter um navio próprio pode garantir nossa inserção no mercado internacional de GNL", afirmou o executivo em entrevista após visita ao terminal de GNL da Baía de Guanabara.

 

Gabrielli lembrou que a Petrobras pode tornar-se também exportadora do combustível no futuro. Ele disse, porém, que ainda não há definição sobre o prazo para encomenda do novo navio. Os planos da estatal foram citados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu discurso no terminal. O presidente lembrou que há hoje poucos navios de GNL no mundo, o que pode criar uma situação de dependência no transporte de combustível.

 

Tecnologia

 

O presidente ressaltou a importância de desenvolver tecnologia brasileira para atender ao crescimento da Petrobras. Ele informou que, por conta da dependência de tecnologia estrangeira, pode haver atraso no início das operações na área de Tupi e na bacia de Santos. A previsão inicial era que o primeiro óleo de Tupi fosse retirado em cerimônia do dia primeiro de maio, mas a sonda responsável, segundo o presidente, "ainda está em Cingapura, está um bocado atrasado".

 

Lula afirmou que qualquer decisão sobre o preço dos combustíveis depende de avaliação sobre os impactos da medida nas finanças da Petrobras. Em entrevista após visita ao terminal de GNL da Baía de Guanabara, Lula disse que a questão ainda não está em discussão, mas o governo teria que ouvir a Petrobras antes de tomar qualquer decisão sobre o tema. "A Petrobras tem uma contribuição enorme para o superávit primário", afirmou o presidente, justificando a importância da análise dos impactos financeiros para a estatal de uma redução no preço dos combustíveis.

 

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