Brasil caminha para novo recorde nas exportações para parceiros do Mercosul

O Brasil bateu no ano passado o recorde de 1997 para as exportações feitas com os parceiros do Mercosul e caminha na mesma direção este ano. O cenário foi traçado pela economista da Unidade de Negociações Internacionais da CNI Lucia Maduro. Nas projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) apenas as vendas para a Argentina gerarão superávit de US$ 4,5 bilhões - o maior da história com o país vizinho.A importância do Mercosul para o Brasil foi debatida nesta terça-feira durante seminário no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Na avaliação do presidente do Cebri, José Botafogo Gonçalves, o País se beneficia comercialmente do Mercosul, a despeito de críticas setoriais contra o bloco e o protecionismo argentino. "Os números do comércio indicam no sentido oposto, apenas das demonstrações em contrário", afirma Gonçalves.Os dados compilados pela economista da CNI, que participou do evento, mostram que as exportações do País para o Mercosul somaram US$ 11,7 bilhões, acima dos US$ 9,050 bilhões vendidos em 1997, maior patamar histórico até então. De janeiro a julho deste ano, as exportações para o bloco já somam US$ 7,6 bilhões, quase 20% acima do mesmo período do ano anterior. A variação supera o crescimento médio de 15% das vendas externas brasileiras.Botafogo Gonçalves chegou a comentar que há um "paradoxo de imagem". Ele explicou que enquanto internamente existe a visão de que o País vem sendo sistematicamente prejudicado pelo Mercosul, os parceiros comerciais dizem exatamente o contrário e indicam que o Brasil, maior país do bloco, está sendo o mais favorecido pelo acordo."O Mercosul deveria ser o núcleo duro da integração na América do Sul", afirmou o presidente do Cebri. Ele também citou que o Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC) - nome dado ao mecanismo de salvaguarda exigido pelos argentinos - foi assinado em fevereiro mas sequer foi usado até agora.Para a economista da CNI, o mecanismo foi bem negociado pelo Brasil, que exigiu provas de supostos danos causados pelas vendas brasileiras, além das negociações "caso a caso" que o país vem adotando. De forma geral, os especialistas que participaram do seminário Desafios da Integração no Hemisfério, na sede do Cebri, criticaram a adesão da Venezuela ao bloco.A AEB concorda que o comércio com o Mercosul tem avançado, mas mantém as críticas com relação ao fato de o Brasil estar "preso" ao bloco. O vice-presidente da AEB, José Agusto de Castro, afirma que o bloco restringe a liberdade de o País fazer acordos com outros países, já que qualquer novo acerto tem de ser aprovado pelos demais integrantes do bloco."O mundo todo, com o fracasso da rodada da OMC (Organização Mundial do Comércio), busca acordos bilaterais e nós estamos parados", afirma Castro. A economista da CNI concorda que "a negociação em bloco é certamente difícil". Segundo ela, países de menor porte são mais propensos a fazer negociações que resultem em maior abertura, caso do interesse uruguaio com os Estados Unidos. Colaborou Adriana Chiarini

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