Brasil caminha para ser opção de investimento sem risco

O economista do Instituto de Finanças Internacional (IIF) Frederick Jaspersen disse, nesta quinta-feira, que o Brasil pode chegar ao "investment grade" (condição de baixo risco de crédito), mas ressaltou que "o mais importante para isso é que haja continuidade na política econômica". De acordo com Jaspersen, o Brasil está em circulo virtuoso agora, com a inflação e as taxas de juros caindo. O IIF projeta para o País um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% este ano, mas que pode ser até maior. O diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, afirmou que as políticas macroeconômicas na América Latina e no Brasil estão institucionalizadas. Eleições O IIF acredita que as eleições nos países da América Latina este ano, inclusive no Brasil, não devem afetar muito as políticas econômicas, exatamente por este motivo. Dallara e o presidente do banco Itaú, Roberto Setúbal, destacaram, porém, a importância de o próximo governo promover reformas nas áreas tributária, previdenciária, trabalhista e fiscal. Dallara afirmou que a maior parte do investimento que está vindo para o Brasil do exterior é direto em produção, de longo prazo. Trata-se assim, disse, de investidores que estão informados dos riscos do País mas consideram que há oportunidades. Ele completou sobre a mudança de ministro da Fazenda que "políticas e instituições são muito mais importantes do que qualquer indivíduo", e que "estamos em uma fase em que as políticas foram institucionalizadas". Alta nos juros Dallara disse ainda que uma possível alta dos juros nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, constitui "uma preocupação". Ele explicou que a situação tornaria o ambiente possivelmente "mais desafiador para os mercados emergentes". Jaspersen, por sua vez, afirmou que caso ocorra aumento de juros nos países desenvolvidos "no fim deste ano ou início do ano que vem, a região da América Latina está muito mais bem preparada do que estava no passado". O presidente do Itaú, Roberto Setúbal, acrescentou que os países da América Latina estão fiscalmente mais responsáveis e com contas externas superavitárias. "Não se vislumbra crises ou dificuldade maior." Os representantes da IIF participaram de entrevista coletiva antes do início do Encontro Anual de Presidentes de Bancos Latino-Americanos, evento que será realizado a portas fechadas.

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