Brasil campeão do calote com expansão do crédito

No mês de maio a inadimplência no cartão de crédito atingiu o recorde de 29,5%. Isso significa que quase um terço dos recursos acumulados de crédito rotativo, de financiamentos com juros e de saques está sem pagamentos há pelo menos 90 dias, e a dívida dos usuários com os bancos está em R$ 10,835 bilhões.

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h10

As instituições financeiras têm grande parte da culpa, para não dizer um certo interesse, levando em conta que em maio, enquanto as outras taxas de juros estavam caindo, os juros para cartões de crédito ficaram estáveis em 10,69% ao mês, ou 238,3% ao ano, taxa que representa um verdadeiro convite ao não pagamento, pois se trata justamente de pessoas já altamente endividadas.

Outra culpa dos bancos é a insistência para que pessoas sem renda suficiente utilizem o cartão de crédito, com uma grande facilidade de uso - até o momento do pagamento mensal. Seria talvez o caso de baixar normas estabelecendo condições mínimas para quem queira dispor de um cartão de crédito.

No entanto, não é apenas entre as pessoas físicas que se observa um aumento da inadimplência, que, curiosamente, cresceu desde que as taxas de juros recuaram sob a pressão do governo. Segundo a Serasa Experian, nos cinco primeiros meses de 2012, as dívidas não bancárias das empresas (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadores de serviços, como telefonia e fornecimento de energia e água) foram, em média, de R$ 775,74, um aumento de 4% em relação ao mesmo período de 2011.

As dívidas com os bancos, no mesmo período, ficaram, em média, em R$ 5.239,13, com alta de 4,3%. O valor médio dos títulos protestados foi de R$ 1.914,33, com alta de 11,1%. Finalmente, os cheques sem fundo, com valor médio de R$ 2.191,88, apresentaram elevação de 6,5%. É possível que as altas taxas de juros tenham contribuído para esse aumento do endividamento.

Não há dúvida de que o calote se tornou um instrumento da vida econômica. Em parte, isso foi provocado pelas facilidades na distribuição de crédito. Todavia, começa a representar uma ameaça para as instituições financeiras, cujas perdas acumuladas podem conduzir a graves dificuldades, especialmente no caso dos bancos públicos, que foram usados para criar novas condições na distribuição de crédito.

Agora é o governo que oferece financiamento de prazo longo com taxa negativa, a TJLP, que aumentará o déficit nominal.

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