Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Brasil, caso único. Mais crédito mesmo em recessão

Tudo indica que já estamos tecnicamente em recessão, pois se espera mais um Produto Interno Bruto (PIB) negativo. Espera-se mais um PIB negativo no primeiro trimestre, após uma queda brusca de 3,6% nos últimos três meses do ano passado. Apesar disso, a confiança externa no Brasil continua em alta porque os fundamentos da economia são positivos. Entre janeiro e quarta-feira, o Tesouro captou US$ 1,77 bilhão. O último lançamento de títulos era de US$ 500 milhões, mas a demanda foi bem maior, chegando a US$ 750 milhões. Tudo vencendo em 2019 e a taxa de juros declinante, o que é um forte indício de confiança. O primeiro lançamento em janeiro foi com juro de 6,1% e o desta semana 5,80%. Outros países, como a Colômbia, pagaram 7,3%. E, atentem, isso em meio a um mercado financeiro ainda tenso, dominado por medo, cautela e incerteza. Nesta semana, houve um pouco de alívio com o resultado do teste de estresse feito nos 19 maiores bancos, revelando uma situação menos grave do que o esperado. O Tesouro afirma que esses bancos americanos precisam de cerca de US$ 75 bilhões do setor privado ou serão socorridos pelo governo. O Tesouro e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) afirmaram na sexta-feira que há recursos para atender imediatamente a todos, afastando, assim, o fantasma de um novo Lehman Brothers. ELES ESTÃO VOLTANDOUm bom sinal foi que logo após o anúncio do resultado do teste, dois bancos, o Morgan Stanley e o Wells Fargo, conseguiram levantar em apenas um dia, na sexta-feira, US$ 11,5 bilhões no setor privado. Para Wall Street, há sinais de que os investidores estão voltando ao mercado. "Não é o fundo do poço, mas o apetite dos investidores por ações e títulos é espantoso", afirmou Michael Halaby do BNP Paribas, em Nova York ao Financial Times.SAÍMOS NA FRENTEMas o Brasil saiu na frente. Antes mesmo do resultado do teste, o Tesouro nacional voltou ao mercado externo, em janeiro, e captou US$ 1,025 bilhão com prazo de vencimento em 2019 a juros declinantes. O mesmo foi feito pelo setor privado.Nos últimos dias, corria no mercado financeiro que a agência Moody?s estaria estudando a elevação do grau de investimento do Brasil, o que poderia ocorrer muito em breve.O Tesouro já anunciou que tem a maior parte dos dólares necessários para pagar o vencimento da dívida externa neste ano. Deve continuar aproveitando a excepcional imagem do Brasil no exterior para reforçar as reservas cambiais que praticamente continuam intactas. Nós continuamos a caminhar bem enquanto os outros tropeçam e até ameaçam cair.VAMOS CONTINUAR ASSIM?Depende. No momento, estão entrando tantos dólares que até incomoda... Esse cenário poderá manter-se se não houver nenhuma outra catástrofe no mercado financeiro internacional. Poucos esperam que isso ocorra, mas a maioria não descarta essa hipótese. PERDA DE US$ 590 BILHÕES!Ao mesmo tempo, o Fed informou na sexta-feira que os 19 grandes bancos submetidos ao teste podem sofrer perdas de US$ 599 bilhões até o fim do próximo ano. Esse é um quadro que não inspira muita confiança, mesmo com o governo declarando-se disposto a socorrer aos que precisarem.PODE PIORARE é exatamente por isso que o Tesouro está aproveitando o bom momento para o Brasil.Quer captar tudo o que for preciso ainda este ano, prevenindo-se contra um eventual agravamento da crise financeira. Afinal, não se sabe bem qual é o valor dos chamados títulos tóxicos. O Fundo Monetário Internacional estima que sejam US$ 2,8 trilhões só nos EUA. Ampliando-se para o mundo, o FMI chega a US$ 4 trilhões! Muito ainda pode acontecer.Certo, o Tesouro e os bancos centrais dos países mais envolvidos começam a enfrentar esse desafio com mais vigor, mas chegaram atrasados, principalmente, na União Europeia. Tudo seria menos difícil se a economia desses países voltassem a crescer. Mas para isso é imprescindível resolver a crise no sistema financeiro que, associada à desconfiança e à redução do crédito, está provocando uma forte retração da demanda. Um grave efeito colateral é o aumento do desemprego que, nos EUA, chegou a 8,9%. No Brasil ele está em 8,5% sem dar sinais de se estabilizar.ESTAMOS CERTOSA coluna apresentou esse panorama para concluir que a equipe econômica está certa ao "entesourar" o que puder para se prevenir contra o pior, mesmo que essa possibilidade não seja imediata e até mesmo remota. Está certa também ao atacar desde o início as duas frentes, estímulo à demanda com a redução seletiva de impostos, ao mesmo tempo em que manejam a liquidez em um mercado financeiro felizmente sólido.Devemos ter ainda pela frente tempestades e furacões que rugem lá fora, mas as barragens que estamos construindo para sermos menos afetados estão funcionando até agora. Estou quase tentado a dizer que em meio a tanto infortúnio externo, somos até "felizes" e não sabíamos, mas não digo para não me chamarem de novo de otimista inconsequente.Não sou não.Nem um pouco.Apenas um pessimista em fase de conversão.*E-mail: at@attglobal.net

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.